sexta-feira, 29 de abril de 2016

Vitórias



Vitórias
22/04/2016



Arquimedes Estrázulas Pires



          Morremos um pouco todo dia, desde que nascemos. Todos os dias nos aproximamos um pouco mais daquele momento final, de cada existência, que nos ensinaram a chamar de... morte. E não importa quanto tempo nos demoremos desde o nascimento até lá, porque nada é definitivo no existir do Universo, exceto Deus.

          Tudo é relativo no transcorrer de cada existência e tudo está relacionado à herança de nós mesmos; tudo está decididamente relacionado com as escolhas que, existência após existência, a vida exige que façamos.

          Livre arbítrio é o nome do instrumento que o Grande Espírito colocou nas mãos de cada um de nós, pra que aos poucos possamos evoluir. E então nós, Espíritos, “criados à imagem e semelhança do Criador”, evoluímos aprendendo e aprendemos fazendo.

          Podemos dizer que aprendemos com a dor, com as dificuldades, com a tristeza, com as dúvidas, com as lições do dia a dia. Aprendemos com os sonhos que não realizamos por medo de falhar, aprendemos com a certeza de que se houvéssemos tentado, poderíamos ter conseguido superar o medo e... chegar lá. Aprendemos quando nos desapegamos e então percebemos que nada nos pertence por inteiro, exceto aquilo em que vamos nos transformando, tempo afora. Por isso Divaldo Franco diz que, ao chegar o dia da grande viagem, “aquilo que temos, nós deixamos; e aquilo que somos, nós levamos”.

          Aprendemos com as realizações importantes, com as certezas que vão nascendo na justa medida das vitórias alcançadas, em primeiro lugar sobre nós mesmos e depois sobre as pedras do caminho e os ditos “moinhos de vento”, contra os quais lutava Don Quixote, e que pra ele se afiguravam como grandes e imaginários inimigos. Inimigos fantasmas, que só existem na mente de cada um de nós e que cada um de nós pinta, vê e teme à sua maneira. Uma maneira absolutamente particular, de sentir, ver e... temer. Seria muito bom se cada um de nós também pudesse acrescentar, no fim de tudo, a palavra... vencer!   
          Vitória, deveria ser a última palavra em todas as coisas que nos propomos fazer; inclusive ao final de cada existência.

          Mas não somos vitoriosos quando narradores e mídia gritam que somos, e nos colocam sobre pedestais, que hoje se chamam pódios, e nos nomeiam campeões seja lá do que for.

           Não; não é assim!

         Somos vitoriosos somente quando o nosso EU grita para nós mesmos e de braços abertos corre pelas pradarias da alegria e da satisfação de ter feito bem feito o que nos propusemos fazer. Quando sentimos que fizemos o melhor que podíamos fazer, então sim, somos vitoriosos!

          Seria muito bom, se a cada final de ciclo a vida nos desse um ramalhete valendo um abraço a ser recebido daqueles que aprenderam a nos querer bem; porque então a saudade, sozinha, não seria suficiente pra fazer a tristeza de ninguém, quando fôssemos embora e déssemos um adeus a mais, e um novo até logo. E haveria ramalhetes que deixaríamos nos braços, nas mãos e no coração de todos, pra que entretidos com eles não percebessem que estávamos indo embora uma vez mais. E quem sabe só percebessem quando de novo estivéssemos voltando, cheios de alegrias e missões novas.

          E aprendemos ensinando o que aprendemos e compartilhando o que já sabemos fazer. Porque vamos nos tornando bondosos, enquanto aprendemos e sabemos mais e, quando sabemos bastante e nos tornamos bondosos, então nos tornamos humildes. E os que sabem ser, fazer e existir, e o fazem com bondade e com humildade, são tratados pela vida como... sábios! Virá o tempo em que muitos de nós seremos um! E então será muito bom, porque os sábios não se preocupam em ir embora quando chega o trem da vida, esse ser fenomenal que chamamos morte, mesmo sabendo que a morte assim não existe, se mantém calmos; justamente calmos.

          A morte é vida, como a vida da semente que morre sob a terra fria e do seu interior deixa brota um novo ser, verdejante de esperança e cheio de boas energias pra dar. É quando a natureza exulta de alegria e o mundo sorri, então mais rico, porque enfeitado por um novo ser; habitado por mais uma partícula da grande obra de Deus. A morte, como a sabemos... não existe. Deus não daria fim à Sua Obra. Nem mesmo às minúsculas partículas que a compõem.

          Nós, a porção inteligente da Criação, só compreenderemos Deus, o Grande Espírito Criador, quando suficientemente perfeitos para compreender que as lições difíceis são indispensáveis, que as provas são o certificado de que estamos prontos pra seguir adiante e que, pra alegria de sábios e ignorantes de tudo, tudo o que experimentamos, circunstancialmente ou não, é imperativo. Ou isso, ou não chegaremos lá longe, onde a perfeição nos espera.

          Deus nos abençoe!

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