quinta-feira, 4 de setembro de 2014

BICHO SOLIDÃO

Bicho solidão
27.10.2012

Arquimedes Estrázulas Pires


   Nas observações que tenho feito durante palestras e conversas que esparramo por aí, tenho conhecido pessoas, situações e conflitos bastante diferentes entre si, mas, na essência, absolutamente semelhantes. Dentre eles, um dos mais interessantes é o do ser só.
            Há o indivíduo que vive, come, bebe, chora, ri, fala, ora, dorme, viaja, trabalha, estuda e, independente de quanta gente haja à sua volta está sempre... só. Há aquele que se sente só em todos os lugares e em todas as circunstâncias, e há aquele que se sente só apenas em situações particulares. Dentre este grupo há os que se sentem muito bem em companhia de outras pessoas no trabalho, na rua, na igreja, na universidade... Mas quando chega à casa, no fim do dia, tudo se passa como se as portas do mundo se houvessem fechado atrás de si e, nesse ambiente onde tudo deveria convidar ao relaxamento, à descontração, à liberdade de sentir e manifestar, comentar e desabafar, rir e galhofar, sente-se sombria e pesadamente... só!
            Deste grupo ainda é possível extrair situações em que a solidão se torna exponencial e de uma forma medonha, quando o só é pessoa de lides coletivas habituais, não raro um chefe de grandes grupos profissionais, um professor ou um líder religioso. Muito mais comum do que se imagina!
            Neste caso a solidão se manifesta de diferentes maneiras, mas sempre no regaço doméstico, onde a água deveria ser sempre fresca, a sombra sobeja e a paz possível e presente. Nem sempre é assim.
            Não é difícil - entre estas - encontrar pessoas que se dedicam ao compartilhamento do conhecimento, à construção do caráter, à produção de bons exemplos e à orientação a outrem, no sentido dos caminhos que a dignidade recomenda. E, também, pessoas de índole, caráter e compromisso filosófico religioso de tal modo presente, que difícil mesmo seria imaginá-las com problemas desse naipe.
            Mas, por que isso acontece?
        Normalmente esse sentimento de “estar só” ocorre quando os familiares desse indivíduo vibram em uma faixa diferente da sua. Significa dizer que, se o nível de conhecimento entre marido e mulher é significativamente diferente, se cada membro da família tem uma opção religiosa diferente da dele, se algum “acidente de percurso” ocorreu e em dado momento da viagem esse indivíduo perdeu o comando da casa e da rotina aí estabelecida, é bem possível que haja dificuldade no relacionamento entre todos, daí em diante, porque de líder familiar ele terá passado a apenas membro da família; nem sempre admirado. E onde não há admiração não perdura o amor, o respeito e a liberdade de expressão, manifestação e vontade. Isso vale para o líder familiar homem e para a líder familiar mulher; não há uma barreira que divida os dois territórios.
            O grande problema, em tais casos, é onde buscar aquele ombro que de vez em quando faz falta para o desabafo, para o comentário das ocorrências do dia, para a manifestação deste ou daquele anseio, ou para a libertação daquela angústia que está judiando. Buscar a um colega de trabalho, a um líder religioso, a um amigo da família, a um psicólogo, psicanalista...?
            Nem sempre é possível, porque se o assunto é estranho ao ambiente de trabalho, por exemplo, um colega daí, de pouco ou nada servirá para aconselhar ou ouvir. Os líderes religiosos – não raro! – são pessoas cujos ombros estão sempre carregados dos problemas que lhes chegam diariamente, e que nem sempre têm onde descarregar, de vez em quando, os seus próprios. Eles também não têm fórmulas prontas e nem sempre podem ser eficazes nas orientações que dão. Não que não o façam com dedicação, mas porque os orientados nem sempre estão decididos a ouvir e praticar. Os amigos da família, por envolvimento óbvio, nem sempre são os melhores conselheiros. Até porque, apoiar um lado pode significar desequilibrar o todo, e assim por diante. Um profissional do psiquismo? Nem sempre há disponibilidade financeira para tanto.
            Mas então, como é que fica? Simplesmente não fica?!
            Albert Einstein diz que “no meio da dificuldade encontra-se a oportunidade”. Partindo desse princípio – verdadeiro, aliás! – podemos garantir que a grande saída é a reforma íntima; como quem reforma uma casa!
            E nenhuma boa reforma preserva tudo o que há; é absolutamente normal que tinta velha e desbotada, reboco deteriorado, fiação elétrica estragada, tubulação gasta e até paredes e pisos sejam arrancados, quebrados, estourados e jogados fora, pra que uma nova estrutura, uma parede bonita, instalações adequadas, e uma pintura estimulante permitam que nos sintamos bem, dentro da casa onde moramos.
             “O meu corpo é o templo do meu Espírito”, diz Paulo, o Apóstolo. Portanto, que eu me reforme! O Espírito que sou, precisa se sentir bem, dentro dos conceitos que passarei a ter depois da reforma que fizer em mim mesmo. E, em relação à vida e à minha natureza divina, agora devo me ver perfeitamente encaixado. Porque sou parte do Todo; sou partícula de Deus.
            Reformar-se intimamente, portanto, implica jogar fora velhos conceitos, amassar e incinerar rancores e mágoas, picar e colocar na lata do lixo existencial o ódio, a inveja, os apegos, os desejos de vingança, a hipocrisia, a mesquinhez, a presunção de poder, a vaidade exacerbada, a luxúria, a prepotência, o egoísmo, o orgulho, os complexos em geral e, arrematando tudo isso, incorporar como norma de bem viver, a humildade, o perdão, a nobreza de sentimentos, o respeito incondicional ao Criador de Todos os Mundos e, evidentemente, o amor ao próximo e a caridade.

            Esse é o processo e é essa a fórmula para a vida em harmonia, em equilíbrio e em paz. Se a tal felicidade duradoura é imaginada possível, jamais o será sem que tenhamos nos transformado através desse processo doloroso de modificar hábitos, costumes, conceitos e jeito de ser.
            Reforme-se, portanto! Não é nada fácil; mas você consegue!
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segunda-feira, 28 de julho de 2014

ORAÇÃO DO PERDÃO


ORAÇÃO DO PERDÃO


A partir deste momento......... e para sempre,
Perdôo todos os meus antepassados,
Perdôo todos os meus familiares,
Perdôo todas as pessoas que de alguma forma me ofenderam,
Perdôo especialmente quem me provocou até que eu perdesse a paciência,
Perdôo todas as pessoas que rejeitaram meu amor e o meu carinho.

Fazer uma pausa e respirar profundamente ........
Agora......... sinceramente......... PEÇO........
Perdão a todas as pessoas que, consciente ou inconscientemente ofendi ou prejudiquei.
Perdão a mim mesmo pelas queixas, ressentimentos e pela de falta de fé.
Fazer nova pausa e respirar profundamente..........
Sinto-me em paz com minha consciência, dirijo-me ao meu Eu Superior pedindo perpetuação e proteção para este momento de imenso amor por mim mesmo, para todas as pessoas e para qualquer forma da criação Divina.
Que assim seja.......... e assim será............... Amém!

domingo, 27 de julho de 2014

Confie na tua voz interior




Confie na tua voz interior
19.01.11

                                           Texto de: Julio Andrés Pagano Semillas de Luz
                        Tradução: Arquimedes Estrázulas Pires

         Enquanto me aproximo e, suavemente, toco teu ombro, meu coração te pede que olhe um pouco para o que vê; com os olhos da alma. Vê? Por detrás do texto há um sábio Ancião com uma vela acesa. Sinta sua vibração imaculada. Está iluminando esta mensagem com a belíssima luz do Amor, pra que em teu interior surja - em toda sua plenitude - a confiança. É um nobre guia! Veio impulsionar-te, com sua energia redentora, para te levar, de novo, a contemplar o Sol. Bendito seja!
         Com a delicadeza daqueles que conhecem a dor das feridas e são conscientes do que o esgotamento e a confusão podem causar e, com a pureza de sua frequência, o Ancião acaricia docemente o teu corpo, para que  possas recobrar a beleza da tua aura. Seus olhos sinceros falam através do movimento das minhas mãos; e então te escrevo. Este é o harmonioso som de uma mensagem cristalina; suas palavras chegam para te dar energia e aumentar tua capacidade de compreender.
         Se eu pudesse te mostrar o quanto é importante continuar caminhando sem fechar o coração, minha tarefa estaria cumprida. Estou aqui para te ajudar, pois a transição é intensa. Não acredite se te disserem que ninguém te escuta! Há portas que não se abrem, exatamente para que você tome a iniciativa de caminhar em outra direção. Não titubeies, nesse gesto. As situações que parecem injustas te darão a possibilidade de aprender a se superar na adversidade. Sinta cada passo! Respeite teu próprio ritmo e... continue!
         O Descanso não é uma perda de tempo; ele permite que você interiorize o que tem vivenciado. Ainda que pareça o contrário, ninguém tropeça sempre nas mesmas pedras. Novos ensinamentos cruzam teu caminho, a todo momento, para te concederem a oportunidade de aprender de um modo diferente aquilo que pra você – até aqui - tinha somente uma solução. Teu universo interior se amplia e se enriquece à medida que o observas sem fazer julgamentos. Abrace a tua realidade e a transforme com a força que se irradia a partir da tua alma.
         Abra-se! Um imenso fluxo de energia dourada vem acariciando as estrelas para trazer até o teu coração o esplendor de um majestoso tempo. Internamente, você sente que a Terra te chama para dançar com ela a dança criativa do Amor, mas tua mente se reprime, pensando que não será desse jeito que poderás suprir tuas necessidades mais básicas. É possível vencer esse abismo aparentemente intransponível, que leva ao nada, esforçando-se, mais uma vez, para abrir as asas firmes da certeza de que é possível fazê-lo.
         Renove a confiança em tua voz interior e siga pelo caminho do Amor. Não temas diante da intensidade das provas; elas apertam, mas não enforcam. Em breve verás surgir novos espaços de consciência onde poderás compartilhar tuas experiências. Ali o teu coração abraçará outros corações e, então, cantará e sentirá que o que foi vivido não foi em vão. Sentirás uma grande e profunda calma interior e perceberás que faltam apenas uns poucos passos. Confie! Confie! Confie!
         O Ancião de longos cabelos brancos e túnica resplandecente pousa suas graciosas mãos sobre tua fonte, silenciando todo o ruído mundano. Ele te olha de maneira angelical e então... a tua alma o reconhece. Uma flor se abre ao vê-los caminhando juntos, envoltos nesse halo reluzente e amoroso de uma nova realidade. O Sol brilha. Teu coração festeja! Você venceu e acabas de renascer na luz da confiança em Deus.
         Segue andando!
         Segue confiando!
         Sou um Mensageiro!
         Bendito sejas... tu!
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sexta-feira, 25 de julho de 2014

Da reflexão e da decisão



Da reflexão e da decisão
22 de julho de 2014
Arquimedes Estrázulas Pires
Eu sou eu, você é você, os outros são os outros. Mas todos – indistintamente - partículas da Inteligência Cósmica a que nos acostumamos a chamar de... Deus.
Assim, originalmente somos programados para evoluir constantemente e produzir transformações em nós mesmos e no ambiente em que existimos. Sempre a partir de observações, experiências e exemplos. Se vivêssemos sozinhos em algum lugar desabitado não haveria progresso e não haveria desenvolvimento intelectual, moral, comportamental, etc. Porque não teríamos oportunidade de observar pessoas, experimentar situações e avaliar exemplos.
Toda a harmonia percebida entre situações e seres, no Universo, ocorre por afinidade e não por conveniência. Assim, os semelhantes se atraem e os diferentes se afastam, sem que seja necessário forçar a barra em um ou em outro sentido. É por isso que a família é um cadinho[1] onde se misturam personalidades com necessidades mútuas, de evolução e aperfeiçoamento. É também por isso que nos afeiçoamos a algumas pessoas e nos sentimos desconfortáveis em razão ou em presença de outras; na família ou fora dela.
Tendo em mente o fato de que a harmonia só poderá existir em sua plenitude se for espontânea, que somos seres inteligentes e possuidores da capacidade de discernir entre caminhos a serem seguidos ou entre atitudes a serem tomadas e, considerando que toda decisão intempestiva – por necessidade ou incúria – pode nos levar a situações indesejáveis, desagradáveis ou desnecessárias, devemos primar pela ponderação diante de quaisquer situações que exijam sensatez. O equilíbrio será sempre quebrado diante da intempestividade. No plano emocional, mental ou físico.
Portanto, a bem da harmonia em todas as situações e – especialmente – a bem da harmonia no âmbito pessoal, devemos ser cautelosos diante de situações que nos testem a capacidade de nos mantermos em equilíbrio emocional, mental ou físico.
Uma relação entre pessoas – na família, no trabalho ou em qualquer lugar – exige esse posicionamento. Ou os envolvidos poderão acabar desestimulados a continuar, caso nem tudo aconteça conforme o pensamento prévio os tenha levado a pensar. Somos individualidades universais e, por consequência do fato, diferentes em relação aos demais, em que pese o espírito sociável, atávico à espécie humana.
Em nada nos afinaremos com outras pessoas ou grupos sociais, se entre eles e nós não houver certa semelhança de sentimentos, conhecimentos, ideias e ideais.
Se a presença desses ingredientes é verdadeira em um projeto que desejemos realizar em conjunto com uma ou mais pessoas, certamente aí há interesses comuns e, nesse caso, a necessária harmonia para que nos seja possível inferir que haverá satisfação durante e após a sua realização. Ninguém se atira a uma empreitada que ao final seja capaz de lhe render prejuízos ou aborrecimentos. Pelo menos não, se a ação for precedida da cautela recomendável em situações inusitadas.
Na alegoria da caverna Platão nos induz à reflexão sobre a importância de conhecer o ambiente onde existimos, e o seu entorno. Inclusive, evidentemente, pessoas, seres e coisas que eventualmente aí existam. Porque aos nossos olhos – vesgos quando nos recusamos a buscar verdades mais profundas do que aquelas que em dado momento nos interesse buscar – pode ser que sejamos plenos de razão sobre o que nos cabe cuidar. O que não nos dá nenhuma garantia de que assim seja.
É justamente Platão quem nos faz lembrar de que o inteligente aprende com os próprios erros e o sábio aprende com os erros alheios. Antes de cada tomada de decisão, a observação crítica sobre resultados, comportamentos e experiências de outrem, poderá ser a diferença fundamental entre a satisfação e o lamento.
Exercite a vigilância, a prudência e a oração.
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[1] Vaso de argila refratária, de ferro, de prata, de platina ou de outra matéria, que serve para nele se fundirem metais ou outros minerais; crisol.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

Tudo à Vida



Tudo à vida
19/04/2007
Arquimedes Estrázulas Pires

A Declaração Universal dos Direitos do Homem reza, em seu Artigo 3º: “Todo o homem tem direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal”.
E complementa no Artigo 5º: “Ninguém será submetido a tortura, nem a tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante.”
Bastaria isso, para desfazer qualquer intenção de tornar “legal” a interrupção da vida por meio do aborto, considerado o aspecto temporal e jurídico da questão.
Mas há o aspecto moral ou, filosófico religioso, que não pode e não deve ser desconsiderado quando está em jogo a natureza divina da pessoa humana.
Não é porque a desigualdade etária do espírito - razão suficiente para que entendamos o porque de tanta diferença evolutiva na espécie - propicie esse tipo de pensamento em alguns setores da sociedade humana, que vamos achar que haja necessidade de bloquear a vida para que governos e governantes realizem seus programas executivos conforme seu próprio entendimento.
Falta de trabalho e emprego, exaustão de recursos previdenciários, escassez assistencial em saúde, dificuldade de manutenção dos padrões desejáveis na educação pública e etc., longe de serem justificativas para tal proposta, devem ser encaradas como um desafio a mais para todos quantos são levados ao poder em nome do povo que representam ou dizem representar.
O aborto é a personificação da covardia, posto que é levado a efeito contra o mais indefeso de todos os seres humanos: o que está gerado mas ainda não nasceu e, portanto, não pode emitir opinião, aludir aos seus direitos, exigir proteção, pedir clemência, implorar misericórdia, pedir socorro...
 O aborto é um covarde atentado contra a vida”, diz o professor Divaldo Pereira Franco, um dos mais significativos ícones do Espiritismo em solo brasileiro.
Deus é o Senhor da vida e duvido que Venha até aos proponentes da legalização do aborto pra dizer: “Eu aprovo essa ideia”!
Não fomos criados sem um bom propósito e se é assim não há o que possa ser discutido em sentido contrário.
Decisões exóticas que beneficiem apenas conveniências pessoais ou grupais, não fazem sentido no âmbito do interesse coletivo dos povos.
O legislador deve ter em mente o interesse comum, sempre que mudanças radicais ao ideário do povo sejam propostas por governos ou parcelas da sociedade.
Não é possível o acato a propostas que comprometam a dignidade humana ou que submetam a impedimentos da liberdade de existir, quem apenas está chegando à vida.
Àqueles que se empenham no intento de abortar vidas, a pretexto de minorar crises políticas e econômicas, sugira-se a adoção de medidas que reduzam as diferenças sociais, tornem mais digna a existência de todos e assegurem o necessário rechaço a quem com isso não concorde; especialmente àqueles que devam zelar por ela, caso a ameacem.
Enquanto nos opomos, determinada e conscientemente, ao aborto e a todas as suas formas provocadas, estamos buscando auxiliar na construção de um mundo com mais luz, mais paz, mais amor e mais fraternidade.
Ao contrário disso, ao primar pela interrupção da vida - com todos os requintes que possam permitir a ciência e a tecnologia - estaremos impedindo que o espírito humano cumpra sua missão de um dia ser perfeito.
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