quinta-feira, 30 de julho de 2009

Mercado da fé

Frei Betto

Como os supermercados, as igrejas disputam entre si a mesma clientela. A diferença está em que eles oferecem produtos mais baratos e elas prometem alívio ao sofrimento, paz espiritual, prosperidade e salvação.

Mas não há enfrentamento nessa competição. O que há, são prejuízos explícitos em relação a outras tradições religiosas, em especial as de raízes africanas, como o Candomblé ou a Macumba e, claro, à Umbanda e ao Espiritismo.

Se não cuidarmos agora dessa desarmonia de expressões religiosas distintas da nossa, poderemos terminar, em futuro próximo, em atitudes fundamentalistas, como a “síndrome das cruzadas,” ou seja, a convicção de que, em nome de Deus, o outro deve ser desmoralizado e destruído.

Quem mais incomoda se sente com a nova geografia da fé; a igreja católica. Quem foi rainha não perde nunca a majestade, diz o ditado. Nos últimos anos o número de católicos no Brasil caiu em cerca de 20%. Hoje ainda ocupamos 73,8% da população religiosamente ativa, mas nada indica que recuperaremos terreno em futuro próximo.

Como um elefante em procedimento de autópsia, a Igreja Católica não tem conseguido modernizar-se. Sua estrutura piramidal faz com que tudo gire em torno das figuras dos bispos e dos sacerdotes. O resto são ajudantes.
Aos leitos não têm sido passadas informações além daquelas que compõem o catecismo infantil.
Compare-se o catecismo católico com a escola dominical das igrejas protestantes históricas e a diferença de qualidade será sentida de imediato.
As crianças e os jovens católicos não têm, geralmente, quase nenhuma formação bíblica e teológica. Por isso não é raro encontrarmos adultos que mantêm uma concepção infantil, da fé. Seus vínculos com Deus, se deixam levar à igreja mais pela culpa do que pela relação amorosa.

Considere-se a estrutura predominante da Igreja Católica: a paróquia.
Encontrar um sacerdote disponível, às três da tarde, é quase um milagre. Enquanto isso, nas igrejas evangélicas, pastores e servidores estão disponíveis a qualquer hora.

Não estou insinuando que se perturbe mais, aos padres. A questão é outra:
Por que a Igreja Católica tem tão poucos pastores?
Todos sabemos a razão: ao contrário das demais igrejas, ela exige de seus pastores, virtudes heróicas, como o celibato, por exemplo.
E exclui as mulheres do acesso ao sacerdócio. Tal clericalismo entorpece a irradiação evangelizadora.

O argumento de que deve continuar assim porque o Evangelho exige, não encontra sustentação à luz do próprio texto bíblico. O principal apóstolo de Jesus, Pedro, era casado (Marcos 1: 29 – 31), e a primeira apóstola foi uma mulher; a samaritana (João 4: 28 – 29).
Enquanto não se puser um ponto final na desconstrução do Concílio Vaticano II, realizado para renovar a Igreja Católica, os leigos continuarão sendo fieis de segunda classe. Muitos não têm vocação ao celibato, mas ao sacerdócio, como acontece nas igrejas Anglicana e Luterana.

Ainda que Roma insista em fortalecer o clericalismo e o celibato (apesar dos freqüentes escândalos), quem conhece uma paróquia católica cheia de vitalidade?
Há algumas, claro, mas por desgraça, são raras!
Geralmente os templos católicos permanecem fechados de segunda-feira a sexta-feira (por que não aproveitar o espaço para estudos ou atividades comunitárias?); as missas não têm sido atrativas e os sermões, normalmente, têm continuado vazios de conteúdo.
Onde estão os cursos bíblicos, os grupos de jovens, a formação de leigos adultos, o exercício da meditação, os trabalhos voluntários...?

Em que paróquia de bairro de classe média os pobres sentem-se como se estivessem em suas casas? Não é o caso das igrejas evangélicas: basta entrar em uma delas, inclusive em bairros ricos, para ver quanta gente simples, se encontra ali!

Ademais, as igrejas evangélicas sabem manejar os meios de comunicação; inclusive a televisão aberta. Pode-se até discutir o conteúdo da programação e os métodos que adotam para atrair os fiéis. Mas sabem falar em linguagem que o povo entende e por isso alcançam tanta audiência.

A Igreja Católica trata de correr atrás com suas missas-espetáculo, os padres aeróbicos ou cantores, os movimentos espiritualistas importados do contexto europeu, etc. É a espetacularização do sagrado; se fala aos sentimentos e à emoção; não à razão!
É a semente em terreno pedregoso (Mateus 13: 20-21).

Não desejo correr o risco de ser duro com a minha própria igreja. Não é certo que ela não tenha encontrado novos caminhos. Alguns desses caminhos, como as “Comunidades Eclesiais de Base”, ela já encontrou. Mas, por desgraça, são caminhos que não têm sido suficientemente valorizadas porque ameaçam o clericalismo.

Frei Betto é escritor; autor de “Mística e Espiritualidade”, junto com Leonardo Boff; entre outros livros.
Este texto foi extraído de artigo da ALAI – América Latina em Movimento. Já foi traduzido do português para o Espanhol, de onde tiramos este material, por J.L. Burguet.
Arquimedes Estrázulas Pires – 22 de junho de 2009.

O que é a Energia?

“Quanto abrir tua Bíblia, pede ao Autor que Abra teu coração”

Do site “Sabiduria Arcana”, a partir de "Um Manual para a Ascenção", do Mestre Ascencionado Serapis Bey

Cada um de vocês possui um número de corpos.
Normalmente as pessoas estão familiarizadas com apenas um deles, o corpo físico; geralmente nem têm consciência da existência dos corpos emocional, mental e espiritual.
Todos esses corpos são compostos de energia, mas essa energia não pertence ao espectro eletromagnético com o qual vocês estão familiarizados, como a luz, as ondas de rádio e os raios X. Falo da energia que se sobrepõe a essa que lhes é familiar, que se encontra por detrás dela; e por detrás do que a humanidade está acostumada a chamar de matéria.
Essa energia de que falo não pode ser captada pelos instrumentos da ciência, porque esses instrumentos também são feitos de matéria e nenhum deles pode detectar freqüências maiores do que aquelas emitidas pelos materiais de que são feitos.
A energia de maior freqüência é a energia da Fonte; é a energia a partir da qual deriva a energia da terceira dimensão, como a luz, por exemplo.
Mas toda a energia é um contínuo e, para os fins desta discussão, podemos pensar nela sob a forma de infinitas quantidades de “unidades de energia”, cada uma, à sua maneira, consciente. Estas “unidades de energia” concordam, digamos assim, a participar de esquemas de consciência extremamente elevados, tais como o teu “eu” ou como as células do teu corpo.
A energia forma o que você e eu somos; e seu estado de alerta constitui, por sua vez, a base da consciência que temos sobre nós mesmos. É dessa energia que estamos falando.
Em contrapartida o nosso sentido de ser organiza as unidades de energia e as provê de uma estrutura psicológica, mediante a qual essas unidades podem expressar-se.
O universo está organizado de modo a permitir que alguns estados de ser, de energia, tais como “eu mesmo”, possam desempenhar determinada função. Qualquer nome que usemos faz referência à função que estejamos desempenando quando nos comunicamos com vocês e, nenhum deles, implica que haja alguma identidade dentro do ESPÍRITO.
Qualquer nome que usemos tem apenas o único propósito de ser conveniente para a comunicação com tua mente consciente. Apesar da consciência que tenho, de que sou energia pura do ESPÍRITO, não me considero possuidor de alguma outra identidade distinta da função que desempenho. Sou a energia que constitui o estado de ser denominado “a função de Serapis”, neste momento; mas esta energia está se elevando e se modificando, constantemente.
Para efeito desta explicação vocês podem imaginar que a energia está dividida em oitavas, ocupando a Fonte da oitava mais elevada; enquanto o plano físico ocupa a oitava mais baixa. Eu, e outros níveis de teu ser, existimos e desempenhamos nossas funções nessas oitavas. Imagine essas oitavas como se fossem as várias faixas de sintonia de teu rádio de FM e como se cada ser, tal com eu, fosse uma estação em particular. Cada faixa capta uma freqüência diferente; mas cada um de nós opera em todas as bandas.
Ocupamos a mesma posição relativa, no “dial”, em cada faixa e vamos elevando, progressivamente, a freqüência. Ou, para usar a analogia do teclado de um piano, que é composto da mesma nota relativa em cada oitava do teclado, ocupamos – como aí – sete faixas vibratórias.
Se as tuas notas individuais, dentro de cada uma das sete oitavas, fossem tocadas simultaneamente, o som resultante seria a totalidade do teu ser: um som muito bonito e harmonioso!
Lembrem-se de que estas analogias nem sequer se aproximam da verdadeira história!
Em cada um desses níveis – oitavas ou faixas vibratórias – vocês estão, permanentemente, misturando-se com outras energias para poderem realizar certas funções.
E não é apenas o “meu” ser que é composto de energias, mas qualquer coisa que eu conceba se manifesta através de uma posterior organização de unidades de energia. Quando vou criar em alguma coisa, desde um átomo, até uma galáxia, primeiro projeto um campo receptivo, análogo ao espaço e só então irradio unidades de energia em seu interior, organizadas de acordo com minha intenção ou com minhas “formas pensamento.”
A única maneira de criar alguma coisa, é organizando este fornecimento ilimitado de unidades de energia, de acordo com a intenção. Assim, o ser que conheço como “eu mesmo” e tudo aquilo que crio ou destruo, são compostos de energia. E aqui, de novo, essa energia não é nem o calor e nem a luz que vocês conhecem, mas uma energia muitíssimo mais sutil e mais parecida com a energia dos pensamentos que produzimos.
Isso gera muitas perguntas interessantes sobre as dimensões da energia, como, por exemplo, a natureza do espaço e do tempo.

O ESPAÇO

Disse que projetava um campo receptivo, análogo ao espaço, em cujo interior eu irradiava unidades de energia de acordo com minha intenção. Esta é uma ordem de espaço muito mais elevada do que o espaço físico e, em termos de vocês, não seria necessário nenhum espaço; em absoluto.
Não obstante isso, esse espaço seria igualmente real para mim, até o último detalhe, como são reais para você, as dimensões de um quarto ou de qualquer cômodo da casa onde você vive. Eu projeto – ou imagino – este espaço, exatamente igual ao imaginado por qualquer outra pessoa que esteja projetando o espaço tridimensional no qual vocês vivem.
Vocês podem ter escutado que o espaço físico não é mais que uma forma de pensamento ou a construção de uma idéia. Isso levantaria a pergunta: Quem é que tem este pensamento? Tranqüilizem-se! Há entidades imensas “pensando”, de maneira muito diligente, o espaço tridimensional de vocês, mantendo-o, com uma claridade e um enfoque que não podem ser descritos. Para muitos de vocês, outros níveis de vocês mesmos, são parte disso.
O espaço que concebemos é suscetível, ou condutor, para a energia, como uma estrada é mais “condutora” aos veículos do que o terreno que a margeia; do mesmo modo como um fio de cobre conduz a eletricidade melhor do que o ar que nos rodeia. O espaço, portanto, é um campo criado para conduzir a energia. Nos planos mais elevados, criamos nosso próprio espaço; no plano físico, outros níveis do próprio ser de vocês criam o espaço físico no qual vocês vivem.
Esse espaço é, ao mesmo tempo, um campo unificador e um campo separador: unificador, no sentido de que permite que o que irradiemos nele possa interagir; e separador, no sentido de que está organizado para que as radiações não se sobreponham.
Imaginemos, por exemplo, dispor alguns objetos para apoio de livros em uma biblioteca. Cada um desses apoios ficam nos lugares em que os colocamos e não se misturam um com outros devido ao tipo de energia que projetamos; essa energia criada é que os mantém em campos separados.

Fonte: Um Manual para a Ascenção – Serapis Bey (Thot, Hermes), Canalizado por Tony Stubbs

MOTIVAÇÃO
Ponha muito esforço e energia em viver!
De vez em quando encontre algum tempo para sentir plenamente a tua vida e o mundo em que vives; faça isso pra que, sem nenhum pretexto, te seja possível absorver toda a riqueza da qual fazes parte.
Deixe de lado, por algum tempo, a necessidade de analizar, criticar, de julgar e de raciocinar.
Deixe que teus pensamentos se aquietem; sinta a maravilha, a bondade, a beleza de, simplesmente, ser e saber quem tu és.
Sinta a vida, não com o objetivo de tirar alguma vantagem ou de impressionar alguém; sinta a tua vida! Porque a profundidade da tua riqueza não tem limites!
Quanto mais plenamente sentires e valorizares tua vida, mais te descobrirás necessitando menos e tendo mais!
Sinta a vida e verás, claramente, o quanto já és rico!
A vida é um presente tão precioso que a nada pode ser igualado.
Vivencie a tua vida e permita-se esse presente; para ti e para os demais.

Gabriel Sandler

Expande-te!
Seja consciente de teus sentidos.
Preste bastante atenção a tudo o que experimentares. Os cinco sentidos são tuas janelas para o mundo e às suas belezas, para uma vida complacente e cheia de significado.
Teus olhos te trazem o verde das folhas e o perfil majestoso das montanhas.
Teus ouvidos te dão a música, os cantos dos pássaros, a voz da pessoa amada.
Teu olfato faz com que alimentos e pessoas te pareçam irresistíveis.
Tua pele te permite deleitar-se com a sensação da água, com os abraços, com o contato que fazes com quem te ladeia.
O paladar te permite descobrir o sabor das coisas e das laranjas.

Engrandece o Bem.
Teus pensamentos têm o poder de influir em teu comportamento e em tuas experiências. Os pensamentos são energia que se transmite aos demais e que sempre voltam a ti, aumentando ou diminuindo a alegria e o amor que a tua vida abriga.
Por isso, concentra-te em produzir pensamentos positivos, em sentir gratidão e em apreciar a beleza dos pequenos detalhes cotidianos - mas inesquecíveis – como, por exemplo, ter sempre disponíveis os alimentos, a saúde e a própria vida!

segunda-feira, 27 de julho de 2009

O Carma é...

Texto retirado do livro "O EVANGELHO À LUZ DO COSMO" - Ramatis - págs. 223/224.


O carma significa a lei em que toda causa gera efeito semelhante, que abrange o próprio destino dos homens, quando todos os atos e todas as causas vividas pelos espíritos em existências físicas anteriores, ficam posterior e hermeticamente vinculados aos seus efeitos semelhantes no futuro! Carma, portanto, é essencialmente a “causa” e o “efeito”, enfim, o controle dos acontecimentos originais aos seus resultados posteriores. Sob o mecanismo cármico ocorre a retificação que equilibra, esclarece, segrega, mas fortifica, pois obriga o credor à liquidação mais breve de sua dívida pregressa, mas também o liberta para decidir quanto ao seu futuro.

Não é uma lei especificamente punitiva, pois se disciplina rigorosamente, também premia generosamente o bom pagador, comprovando a lei que será dado “a cada um conforme as suas obras"! O Carma que deriva da Lei Divina ou da pulsação da própria Lei Cósmica, também regula o “livre arbítrio”, pois concede maior liberdade de ação e poder ao homem, tanto quanto ele adquire mais sabedoria e se torna espiritualmente mais responsável. Assim como os pais afrouxam a liberdade dos filhos à medida que eles se tornam mais cuidadosos, experientes e adultos, a Lei do Carma amplia o campo de ação e responsabilidade do espírito, tanto quanto ele se emancipa e se conscientisa no curso educativo da vida!

domingo, 26 de julho de 2009

SOBRE MEDIUNIDADE DE CURA


RAMATÍS

"Resgatai o Universalismo Crístico que existe na Espiritualidade e não vos deixeis levar pelas incompreensões geradas, muitas vezes, pela ausência de conhecimento ou pelo excesso do saber, que esvaziam ou preenchem demasiadamente a casa mental, obnubilando-a.
Quando falardes em mediunidade de cura deveis alargar os horizontes:

- das benzedeiras do interior do país, aos pretos velhos "incorporados" nas tendas umbandistas;

- dos curadores com galhos de arruda em humildes choupanas da periferia de vossa cidade, às mesas espíritas dos centros tradicionais;

- dos banhos domésticos de descarrego com ervas maceradas, aos templos rosa-cruzes bem situados;

- das simpatias das vovós analfabetas, às diversas igrejas decoradas com suntuosidade;

- das pajelanças dos silvícolas, nas matas, aos consultórios dos terapeutas holísticos;

- das rezadeiras choramingonas, às lojas teosóficas.

Todos, onde quer que prepondere o amor, inevitavelmente serão instrumentos, locais e motivos de trabalho dos bons espíritos para a cura dos terrícolas.
Assim procedia o Cristo Jesus, curando entre o povo, no meio dos ignorantes e dos excluídos das religiões e das crenças estabelecidas de outrora, no qual o infinito amor por vós era o elemento principal da amálgama curativa que se formava no Plano Astral.
Espírito libertário, de escol, liberava as consciências, não se preocupando com a procedência de cada personalidade que o procurava e investia contra as intolerâncias dos homens, praticando a mais pura caridade em nome do Pai."

Pensamento do Dia

A cada nova existência, o homem tem mais inteligência e pode melhor distinguir o bem e o mal.(ALLAN KARDEC)

Apegos

Apegos
Texto de Hortênsia Galvis
Traduzido do espanhol por:
Arquimedes Estrázulas Pires

Desde muito cedo as pessoas nos têm ensinado a estruturar a vida como se as circunstâncias fossem permanentes; como se a existência ideal consistisse em ficarmos amarrados a uma experiência estática, onde a realidade fosse imutável.
Aprendemos a buscar estabilidade para achar a felicidade e essa carência falsa tem nos levado a apreciar mais a rigidez da morte do que a fluidez da vida.
A tendência de continuar repetindo velhos e ultrapassados conceitos é o grande obstáculo que impede o acesso do espírito humano à abertura da consciência; uma fórmula bastante eficaz, diga-se de passagem, para produzir o engessamento da vontade de crescer e de evoluir.
A vida marca ciclos de aprendizagem e quando um desses ciclos se completa e tudo se consuma, devemos ter a sabedoria de seguir adiante sem olhar para o que já passou.
A experiência bem vivida se encarrega desses detalhes e aos poucos vamos perdendo coisas. Vão ficando para trás as lembranças da infância, da necessária dependência dos pais e, nesse embalo, vamos esquecendo até a adolescência e o despertar da primavera. Até mesmo relações matrimoniais que duraram anos vão se perdendo no tempo; seja porque o companheiro(a) morreu ou porque nos divorciamos ou, de qualquer modo, nos separamos.
Os filhos formam seus próprios lares, vão-se embora e deixam aquele vazio que só aos poucos vai sendo ocupado por novos hábitos. Para todos nós há tempos de abundância e tempos de escassez; tempos de vibrante juventude e tempos de saudade, essa quase inseparável companheira dos tempos de velhice.
Olhando para a natureza vamos perceber que em toda a Criação só o homem não aceita bem as mudanças e a separação; parece não saber que para poder avançar é preciso soltar!
Por isso, quando a realidade se modifica, o ser humano que não é capaz de desfazer-se das coisas velhas, mesmo que essas coisas sejam apenas lembranças, sente-se perdido. Ninguém nos ensina que é possível a libertação das amarras do passado e do excesso de apetrechos, antes de continuar a marcha.
Ciclos de vida se acabam e a realidade se modifica, mas, a maioria das pessoas fica presa à saudade e às recordações, negando-se, na maioria das vezes, a contemplar a beleza do presente que ganha a cada novo amanhecer.
Quando divergimos entre o que é e o que gostaríamos que fosse, criamos estados de angústia, insatisfação, dor, medo e ressentimentos que devem ser bem resolvidos. O indivíduo que vive entre esses sentimentos fragmentados só vai encontrar de novo, a paz, quando se harmonizar com pessoas, situações e coisas à sua volta. Mas essa harmonia só é obtida quando descobrimos qual foi o ensinamento conseguido em cada experiência; quando descobrimos o quê estava escondido atrás de cada problema que a vida nos ensinou a resolver.
Quando o que já conhecemos é superado e o horizonte à nossa frente se modifica, é importante nos perguntarmos “o que terá levado o universo a nos colocar nesta ou naquela situação e o quê devemos aprender agora?”
Para desfazer apegos é necessário aceitar que o que ficou para trás é passado e sua validade já se esgotou; o que não nos serve mais não deve ser alimentado por mais tempo pela energia do pensamento, que precisamos para viver o presente. Não é possível seguir adiante, presos à imagem que vai ficando no retrovisor!
Quando há obsessão pelas situações repetitivas, que nasceram no passado e nos buscam – incessantemente - como se também elas precisassem de nós, é sinal de que alguma coisa ainda depende de solução adequada para que possamos nos transformar em pessoas de agora; sem a aceitação da morte do que já não existe mais é absolutamente improvável que sejamos capazes de construir – agora! – um futuro que nos dê felicidade.
Então, é pelo exercício do perdão que vamos curando aquelas velhas feridas que sangram ao menor esbarrão da lembrança.
É na prática da aceitação de nós mesmos que vamos aprendendo a conviver, naturalmente, com situações novas e a reconsiderar nossas queixas que, aliás, na maioria das vezes, se reduzem a resultados silenciosos de ações ou sentimentos que o coração nos leva a adotar. Nesse caso há que se compreender – e aprender - que o mau uso do livre-arbítrio pode nos levar a situações assim, embora nos dê a liberdade para agirmos como realmente somos.
Cortar os laços do passado também significa renunciar aos ressentimentos gerados quando as metas humanas previstas não são atingidas. Às vezes a vida torce nosso destino para nos dar oportunidades de realizar missões evolutivas transcendentais que o olho humano nem sempre vê, porque o cérebro desconhece.
O exercício espiritual que propomos é o de dissolver todos os apegos. Que cada um construa, com essas bases, seu ritual sagrado de desintegração do que já não é mais, para que, com a liberação dos sentimentos puros, o caminho da Ascensão se torne possível. Porque a morada da nova consciência é o vazio deixado pelo passado.

AFIRMAÇÃO E NEGAÇÃO

Paul Ferrini

Se quer estabelecer uma ligação profunda com a sua natureza espiritual, você tem de compreender com clareza e profundidade o que você precisa afirmar e o que você precisa negar. Num nível mais simples, pode-se dizer que a verdade tem de ser afirmada e a falsidade negada.
O amor tem de ser afirmado e o medo negado.
A essência tem de ser afirmada e a aparência negada.
O problema em afirmar a verdade, o amor e a essência é que muitas vezes não sabemos o que eles são.
Como podemos afirmar a verdade, se não sabemos qual ela é?
Como podemos afirmar o amor, se temos medo e somos contraditórios com relação a ele?
Como podemos afirmar a essência, se estamos sempre buscando a aprovação dos outros?
Em geral, para conseguir afirmar a verdade, temos de praticar a negação.
Se eu me sinto confuso, tenho de reconhecer, "Essa confusão não é minha verdade".
Se eu sou contraditório com relação aos meus sentimentos, tenho de admitir, "Essa contradição não é o amor."
Se eu busco lá fora algo que reforce o que eu estou sentindo, tenho de ver que "Essa busca por aprovação não é a essência."
Sendo claro com relação ao que a verdade, o amor e a essência NÃO são, eu crio um espaço dentro de mim para perceber o que eles SÃO.
E assim o processo continua... "A verdade não é o preconceito nem são as idéias tacanhas, o amor não é expectativa nem o desejo de resgatar ou consertar o outro; a essência não é a busca por concordância, por aprovação ou por um grupo a quem eu possa pertencer".
A verdade está no coração, assim como o amor e a essência. Não é possível encontrá-los com a mente ou com palavras. Eles só podem ser incorporados e expressos por aquele que não sente necessidade de estar certo, de ver retribuído o amor que oferece ou de receber aprovação.
A verdade verdadeira, o amor verdadeiro, a essência verdadeira não têm opostos, pois eles não se originam no reino da dualidade.
Para chegar à verdade verdadeira, à essência verdadeira, temos de parar de nos prender às suas imitações.
Se aceitamos amor condicional, não conheceremos amor sem condições.
Se aceitamos qualquer forma de dogma, julgamento ou de preconceito, como algo verdadeiro, não conheceremos a verdade pura do coração.
Se buscamos a aprovação de outros homens ou mulheres e nos preocupamos com o modo que eles nos recebem, não diremos a verdade sobre nós mesmos quando for preciso.
Temos de negar todas as imitações!
Vamos esclarecer, de uma vez por todas que, se você não está em paz, então é porque não está vivendo a verdade, o amor e a essência. Pois só é possível vivê-los quando se está livre de oposições, de conflitos, de contradições, de apegos, de expectativas, ou de interesses de qualquer tipo.
Enquanto o seu amor for oferecido com condições, enquanto a sua verdade for oferecida com o julgamento que você faz das outras pessoas, enquanto a sua essência estiver inflada e ligada à sua auto-imagem, você só estará oferecendo uma imitação.
Se você toma o falso pelo verdadeiro, não pode afirmar o que é verdadeiro ou negar o que é falso.
Essa, meu amigo, é a dificuldade das palavras, dos conceitos!
Quando falar de amor, por favor, pergunte a si mesmo: "O meu amor está livre de condições?"
Quando falar da verdade, pergunte: "A minha verdade está livre dos julgamentos e das opiniões?"
Quando falar da essência, pergunte: "Eu me preocupo com o modo como as pessoas me vêem ou me recebem?".
Pra conquistar a liberdade de ser você mesmo, é preciso mais desprendimento do que você imagina.
Enquanto esperar algo de alguém, você não poderá ser você mesmo.
Só quando não deseja nada em particular, de ninguém, você é livre para ser quem é e para se relacionar com sinceridade e autenticidade com os outros.
Eu não digo isto para desestimulá-lo, mas para prepará-lo para a profundidade e extensão da jornada que você tem pela frente.
Para ser uma pessoa auto-realizada é preciso que você abra mão de todas as expectativas e condições, sejam as suas próprias ou as dos outros.
A sua meta é aceitar exatamente como são, todas as pessoas que cruzam o seu caminho e ser você mesmo, independentemente do modo como elas o recebem ou reagem a você.
Se encontrar alguém que o revolte ou melindre, isso é sinal de que você não está vendo a verdade ou a essência dessa pessoa.
Se você se sente bem com as pessoas que o amam e deprimido com as que não gostam de você, isso é sinal de que você não está firmemente enraizado na verdade de sua própria essência.
O amor é a coisa mais difícil deste mundo e também a mais fácil.
É a mais difícil porque você tem muitas expectativas e apegos que o impedem de fluir para você e de você.
E é a mais fácil porque, quando você se liberta dessas expectativas e apegos, nem que seja por um instante, o amor o invade e emana de você, espontaneamente; sem nenhum esforço!