sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Voltando o olhar para as aves dos céus e
os lírios do campo

Juliana Demarchi
Como Espíritos imortais que somos, vivemos uma vida entre mundos, na qual as palavras do Cristo são lâmpada para os pés e luz para o caminho.
Já se foram mais de dois mil anos que o Espírito de maior envergadura, o governador de nosso planeta – Jesus Cristo – encarnou entre nós, e mesmo depois de tanto tempo, Suas palavras não foram esquecidas. Simbolizando o primeiro cavaleiro citado no livro do Apocalipse, o Seu Evangelho percorre o mundo, tendo saído “vencendo e para vencer”, e mais do que isto, atravessa nossas almas a cada vida que vivemos, conquistando aos poucos o terreno árido de nossos corações.
            Seus ensinamentos não caíram no esquecimento porque, de uma maneira extraordinária e única, Ele dominava como ninguém a arte da retórica, e muito, muito mais do que simplesmente manejar bem as palavras, nos deu o exemplo de amor em tudo o que viveu. Ao falar com os discípulos sobre Sua partida, eles perguntam desconsolados, “para onde iremos Senhor, se só Tu tens as palavras de vida?”. Não somos diferentes. Para onde iremos sem as palavras Dele? Quantas vezes sentamos à beira do caminho e, estacionados no tempo, olhamos somente para nosso mundo, vislumbrando limitações e fracassos inerentes à condição humana. Damos asas às ilusões e elas nos arrastam para longe dos objetivos que compõem nossa programação reencarnatória, pelo simples fato de sermos cegos.
            Acredito que um dos nossos maiores problemas seja nossa visão prejudicada pela miopia espiritual da qual padecemos, o que se agrava ainda mais quando se refere a grupos, enquadrando-se no que Jesus alertou, “um cego guiando a outro cego, rumo à cova”. Em outro trecho do Evangelho, Ele diz que “os olhos são a candeia do corpo”. E viva a ciência! Pois ao longo do tempo vem desvendando grandes segredos do micro e do macrocosmo em que estamos submersos, e, assim, podemos usar o conhecimento para compreender um pouco mais sobre o que nos falava o Senhor. O olho humano é composto pelas mesmas células da glândula pineal, que é tida pelos indianos como o “terceiro olho” e nós espíritas a chamamos de a “glândula da mediunidade”.
            Com a pineal somos o equivalente a sapos na beira da lagoa, com os pés atolados na lama, porém ainda capazes de contemplar o manto de estrelas. Através dela, nossas experiências transcendem a limitação da matéria e podemos receber as ondas vibracionais do plano espiritual, traduzindo-as nas mais variadas formas de fenômenos, entre eles clarividência, clariaudiência, psicofonia e muitas outras. O processo todo se dá com a entrada das ondas luminosas no cérebro através dos olhos – a candeia que se acende estimulando o funcionamento da pineal. A glândula possui em seu interior cristais minúsculos de apatita, capazes de captar estas ondas num mecanismo semelhante aos aparelhos celulares. Portanto, quando Jesus diz que os olhos são uma espécie de lâmpada, penso eu, que esta descrição fisiológica se encaixa perfeitamente aqui.
Paralelo às palavras do Mestre galileu, gostaria de incluir o que foi dito dentro da mesma linha de raciocínio, pelo outro mestre, desta feita, o renascentista italiano, Leonardo da Vinci, “os olhos são as janelas da alma e o espelho do mundo”. Quando nosso coração está inundado de emoção, são eles que liberam as torrentes de lágrimas, como se nossas comportas tivessem sido superadas e estivéssemos vazando os sentimentos. Quando afivelamos as máscaras da mentira, os olhos destoam porque são testemunhas fiéis e incorruptíveis do que vai em nossa alma. E como diria o poeta – “um olhar fala mais que mil palavras”.
 Como Espíritos imortais vivendo em processo encarnado, passamos por experiências de fronteira, ou seja, vivemos entre a tênue linha que separa as coisas físicas das do Espírito, e nesta fantástica divisa a fé faz toda a diferença, pois é a certeza das coisas que se esperam e a convicção do que ainda não se vê. Cada dia mais admiro e agradeço a Deus por ter acesso à doutrina espírita, em especial, ao trabalho ímpar realizado pelo professor Rivail, que, em sua humildade e abnegação, serviu de instrumento aos Espíritos e nos legou um compêndio de sabedoria e luz.
            Estamos caminhando para dois séculos de sua obra e não encontramos sinais de defasagem, pelo contrário, a própria ciência corrobora com suas descobertas, a realidade espírita. A recente confirmação do Bóson de Higgs, ou Partícula de Deus, evoca o que Kardec tratou como Fluido Cósmico Universal, a matéria prima que permeia a tudo e a todos no universo. Segundo os cientistas, esta seria uma partícula formadora de um campo de força surgido logo após o Big Bang. Na Gênese, o próprio Kardec frisou, “o Espiritismo e a ciência caminharão lado a lado, mas onde a ciência se detiver, ele avançará”. Este avanço se dá porque a visão, que é fundamental, não se fixa apenas em aspectos que podem ser mensurados, catalogados ou experimentados dentro de quatro paredes de um laboratório, ela se expande em horizontes que estão muito além, não se limitando, mas ao mesmo tempo não partilhando do fantasioso.
Portanto, que possamos aceitar o convite feito por Jesus para voltarmos nosso olhar para as aves dos céus e os lírios do campo, ou seja, buscar a verdadeira sabedoria nos seres mais simples da escala evolutiva, onde o princípio espiritual estagia com a força de sua plenitude e a graça de sua leveza. Segundo Léon Denis, o princípio espiritual “agita-se no vegetal e sonha no animal”, mas ao chegarmos ao patamar da humanidade podemos gradativamente esquecer a agitação dos sentimentos, imersos numa rotina autômata. Deixar para trás a beleza dos sonhos, em troca de uma realidade cruel e sem sentido. Animais e flores não estão aqui tão-somente para servir ou ornamentar, mas são capazes de oferecer constantes lições de aprendizado a cada um de nós.
            É inexorável o fato de subirmos os degraus da evolução, mas não podemos deixar para trás os valores arduamente aquinhoados, ou trocarmos os verdadeiros tesouros da alma pelo pó da estrada, na vã justificativa de termos nos tornado complexos demais. Enquanto o sentido da vida pode se esgueirar na amizade desinteressada de um cão ou na singeleza de uma flor, a pior de todas as cegueiras pode nos impedir de ver o que de fato é real em todos os planos, que é o amor.
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quarta-feira, 30 de maio de 2012

Amai-vos uns aos outros


Mensagem de alerta aos ESPÍRITAS em geral, formadores da própria opinião inclusive.


                                 “AMAI-VOS UNS AOS OUTROS”

          Há mais de 30 anos atuo numa região de recomposição e resgate, muito conhecida pelos espíritas como “umbral”. Seria como o simbólico “purgatório” dos católicos.
Na última passagem fui padre, numa região do triângulo mineiro, onde tive, no início do Século recém findo, contato direto com o professor Eurípedes Barsanulfo, já que a cidade de Sacramento também pertencia à paróquia onde eu exercia o sacerdócio.
Por designação desse Apóstolo do Bem, sem méritos para isso, desde 1977 coordeno o trabalho de apoio e recuperação de irmãos que, encarnados, possuíam talentos artísticos, sobretudo musicais. Meu relato agora se refere a outro tipo.
Tenho observado, aqui no umbral, um significativo aumento da população espírita, com pessoas de significativo conhecimento doutrinário, principalmente nas regiões mais inferiores, onde os humores são muito pesados, com insuportável calor, alternado por frios inclementes, lama e substâncias gelatinosas, caldos de cheiro repelente e aparência repugnante.
É o que chamamos aqui simplesmente de “poço”. Importante observar que a revolta do Ser simples tem uma aparência e efeitos ruins a seu redor, mas a do culto, ilustrado, ornado com títulos e saberes, é um espetáculo tenebroso, na acepção mais perversa do termo.
O espectro semelhante a lavas vulcânicas, que se forma em torno e sobre esses pobres irmãos, é arrepiante, tremendo, auto gerados com formações próprias, na insubordinação. Uma barrela de tons lúgubres, malcheirosos.
E nos informam os obreiros que trabalham no socorro a estes infelizes seres, da dificuldade em fazer com que eles se recomponham. Porque àquele que não conhece a Verdade, ou dela pouco sabe, quando a descobre, dissolve suas culpas no arrependimento, e se transforma, em pouco tempo.

Mas, o que dizer ao que detém conhecimentos e informações que costumam fazê-los sentirem-se até acima dos que os abordam? Com isso, geram uma forte energia negativa, sulfurosa, que remonta às visões de Alighieri sobre o inferno.
A revolta provém das dores intensas produzidas nas quedas morais e mentais, que carregaram consigo.
As reações ânimo-energéticas afetam as estruturas do perispírito retido, causando dor profunda, contínua.
 E os irmãos, evoluídos em teoria, mas falhos em algumas atitudes definidas como muito graves, não aceitam a prova, rebelando-se na maior parte das vezes. E clamam por Jesus, por Deus, pelos amigos que estejam em posição superior.
A maioria passou na existência carnal grande tempo a pregar, sem vivenciar. Mas, devido à gravidade dos erros acumulados, precisam atravessar períodos de expiações, que agravados pela contumácia são ampliados, elastecidos.
É importante observar que, o maior sofrimento e a dose de mais intensa prova geralmente são conferidas aos religiosos de todos os segmentos, e sobretudo, ultimamente, aos espíritas. Isso nos faz lembrar Jesus, na advertência de que ao que muito for dado, muito será pedido.
E quais são essas faltas de tamanha gravidade? Muitas vezes as cometemos sem nos darmos conta de sua profundidade. Este é o fundamental objetivo dessa mensagem.
Exemplifico- Certo dirigente espírita das Minas Gerais, de grande vulto. conhecido pela erudição e liderança, ao se encaminhar, após o desencarne consciente, para o setor de triagem, se surpreendeu por ser designado às regiões umbralinas.
Sob a acusação de discriminação, racismo e orgulho aviltado, foi-lhe mostrado, na tela da vida, os atos e os efeitos, que produziram feridas morais enormes nos atingidos e precipitaram discípulos e seguidores em erros também de grande monta.
E tudo estava sintetizado em um pequeno folheto, um impresso, de dimensões pequenas, que trazia um trecho da chamada “Pureza Doutrinária”.
Nesse informe alertava ao mundo sobre a Verdade da Doutrina espírita, da necessidade em seguir Kardec (O Codificador sempre reagiu a isso, pedindo, ao revés, que sigamos Jesus), e condenava veementemente aos cultos místicos, a que chamou de supersticiosos e inferiores, citando de modo condenatório, pessoas que usavam o termo “espírita” para trabalhos em terreiros, e em outros locais, numa inclemente censura aos praticantes dos atos de magia, esoterismo e de origem africana.
Cerca de 800 mil desses folhetos já foram distribuídos, em diversas impressões, espalhados em muitos lugares, o que, infelizmente continua até hoje. Nessa miscelânea, e baseado na “bula” muitos julgaram poder agredir, ou mesmo desprezar os que, por razões diversas, decidem por práticas diferentes do culto a Deus.
Aí, o “não julgueis para não serdes julgados” era mera teoria. E o “amai-vos uns aos outros” se esquadrinhava apenas nos limites dos festivos salões de palestras. Acolher, ensinar, orientar, compreender não servia.
Os méritos conseguidos em vida pelo esforçado dirigente eram grandes, mas, a quota de dívidas auferida pelos efeitos de tão desastrosa empreitada era muito maior.
Sofre muito ainda o nosso irmão. E isso prosseguirá até que compreenda e se arrependa, de verdade. O radicalismo de uma ortodoxia discriminatória é um grave e deletério descaminho.
Temos rogado em nossas orações para que a consciência venha rápida. Não tem vindo, pois ele insiste em ser socorrido por altas patentes celestes.
Jesus, e todas as doutrinas e religiões que dEle se derivam não precisam de defensores, menos de fiscais. O punho cerrado tem que ser trocado pela mão estendida. Acreditamos que o Mestre espere menos marimbondos e mais abelhas!
Propagar, difundir, espalhar, ensinar os preceitos firmados pelo Divino Mestre é indispensável. Porém, jamais devemos nos descuidar das frestas por onde entra o mal, ou por onde sai o ódio, que podem, como temos assistido, intoxicar e comprometer todo o bem que é feito, às vezes de uma vida inteira.
“Amai-vos e instruí-vos”, na exortação do ínclito codificador aos espíritas não cria privilégios nem superioridade formal, mas aumenta a responsabilidade em servir, em praticar, indiscriminadamente, o amor de Cristo!
Muitos destes deteriorados irmãos, vigiaram os outros, o mundo, e se esqueceram de vigiarem-se a si próprios.
Assim, assistimos a subida a planos luminosos de caridosos seres, que passaram pela vida sem grandes conhecimentos, mas auxiliaram na elevação e no Bem ao semelhante, mesmo porfiando em humildes e despojados terreiros, tendas, barracos e cafuas.
Enquanto isso, laureados e amedalhados “doutores de Deus” são conduzidos a regiões pantanosas e de sofrimento, para o acerto de contas, inevitável, com as próprias consciências. Enquanto descem, imploram o apoio de amigos e exigem, sem eco, a ajuda e intercessão do Papa, Lutero, Kardec, Chico Xavier e outros. Em vão.

- Pe Aldo - Mensagem recebida pelo médium Arael Magnus em sessão pública no Celest- Centro Espírita Luz na Estrada, em 17 de Janeiro de 2009.
Fundoamor - Fundação Operatta de Amparo e Orientação - Sabará - MG


IMPOSIÇÃO DE MÃOS
Joanna de Ângelis

            Quando nos identificamos com o pensamento do Cristo e nos impregnamos da mensagem de que Ele se fez Messias, sempre temos algo que dar em Seu nome, àqueles que se nos acercam em aflição.
            Dentre os recursos valiosos, de que podemos dispor em benefício do nosso próximo, destaca-se a "imposição das mãos" em socorro da saúde alquebrada ou das forças em de perecimento. A recuperação de pacientes, portadores de diversas enfermidades, estava incluída na pauta das tarefas libertadoras de Jesus.
            De acordo com a gênese do mal de que cada necessitado se fazia portador, Ele aplicava o concurso terapêutico, restabelecendo o equilíbrio e favorecendo com a paz.
 "Impondo as mãos" generosas, cegos e surdos, mudos e feridos renovavam-se, tornando ao estado de bem-estar anterior. Estimuladas pela -+força invisível que Ele transmitia, as células se refaziam, restaurando o organismo em carência.
Com o seu auxílio, os alienados mentais eram trazidos de volta à lucidez e os obsedados recobravam a ordem psíquica em face dos espíritos atormentadores que os maltratavam, os deixarem.
Estáticos e catalépticos obedeciam-Lhe à voz, quando chamados de retorno.
Esse ministério, porém, que decorre do amor, Ele nos facultou realizar, para que demos prosseguimento ao Seu trabalho entre os homens sofredores do mundo.
Certamente, que não nos encontramos em condições de conseguir os feitos e êxitos que Ele produziu. Sem embargo, interessados na paz e renovação do próximo, é-nos lícito oferecer as possibilidades de que dispomos, na certeza de que os nossos tentames não serão em vão.
Jesus conhecia o passado daqueles que O buscavam, favorecendo-os de acordo com o merecimento de cada um.
Outrossim, doando misericórdia de acréscimo, mediante a qual os beneficiados poderiam conquistar valores para o futuro, repartindo os bens da alegria, estrada afora, em festa de corações renovados.
 Colocando-se, o cristão novo, à disposição do bem, pode e deve "impor as mãos" nos companheiros desfalecidos da luta, nos que tombaram, nos que se encontram aturdidos por obsessões tenazes ou desalinhados mentalmente...
 Ampliando o campo de terapia espiritual, podemos aplicar sobre a água os fluídos curadores que revitalizarão os campos vibratórios desajustados, naqueles que a sorveram confiantes e resolutos à ação salutar da própria transformação interior.
 Tal concurso, propiciado pela caridade fraternal, não só beneficia os padecentes em provas e expiações redentoras, como ajuda aqueles que se aprestam ao labor, em razão destes filtrarem as energias benéficas que promanam da Espiritualidade através dos mentores desencarnados e que são canalizadas na direção daqueles necessitados.
É compreensível que não se devam aguardar resultados imediatos, nem efeitos retumbantes, considerando-se a distância de evolução que medeia entre o Senhor e nós, máxime na luta de ascensão e reparação dos erros conforme nos encontramos.
Ninguém se prenda, neste ministério, às fórmulas sacramentais ou a formas estereotipadas, que distraem a mente que se deve fixar no objetivo do bem e não na maneira de expressá-lo.
Toda técnica é valiosa, quando a essência superior é preservada.
Assim, distende o passe socorrista com atitude mental enobrecida, procurando amparar o irmão agoniado que te pede socorro.
Não procures motivos para escusar-te.
Abre-te ao amor e o amor te atenderá, embora reconheças as próprias limitações e dificuldades, em cujo campo te movimentas.
Dentre muitos que buscavam Jesus, para o toque curador, destacamos a força e confiança expressa no apelo a que se refere Marcos, no capítulo cinco, versículo vinte e três do Evangelho: "E rogava-Lhe muito, dizendo: - Minha filha está moribunda; rogo-Te que venhas e Lhe imponhas as mãos para que sare e viva."
Faze, portando, a "imposição das mãos", com o amor e a "Fé que move montanhas", em benefício do teu próximo, conforme gostarás que ele faça contigo, quando for tua a vez da necessidade.

            Mensagem psicografada pelo médium Divaldo Pereira Franco no dia 2 de abril de 1983, em Bucaramanga, Colômbia.

Eurípedes Barsanulpho

MENSAGEM de EURIPEDES BARSANULPHO
IRMÃOS QUERIDOS
               
           Diante dessa crise que se abate sobre o nosso povo, face a essa onda de pessimismo que toma conta dos Brasileiros, frente aos embates que o pais atravessa, nós, os seus companheiros, trazemos na noite de hoje a nossa mensagem de fé, de coragem e de estímulo.
Estamos irradiando-a para todas as reuniões mediúnicas que estão sendo realizadas neste instante, de norte a sul do Brasil.
Durante vários dias estaremos repetindo a nossa palavra, a fim de que maior número de médiuns possa captá-la.
Cada um destes que sintonizar nesta faixa vibratória dará a sua interpretação, de acordo com o entendimento e a gradação que lhe forem peculiar.
Estamos convidando todos os Espíritas para engajarem nesta campanha.
Há urgente necessidade de que a fé, a esperança e o otimismo renasçam nos corações. A onda de pessimismo, de descrédito e desalento é tão grande que, mesmo aqueles que estão bem intencionados e aspirando realizar algo construtivo e útil para o país, em qualquer nível, veem-se tolhidos em seus propósitos, sufocados nos seus anseios, esbarrando em barreiras quase intransponíveis.
É preciso modificar esse clima espiritual.
É imperioso que o sopro renovador de confiança, de fé nos altos destinos de nossa nação, varra para bem longe os miasmas do desalento e do desânimo. É necessário abrir clareiras e espaço para que brilhe a luz da esperança.
 Somente através da esperança conseguiremos, de novo, arregimentar as forças de nosso povo sofrido e cansado.
Os Espíritas não devem engrossar as fileiras do desalento.
Temos o dever inadiável de transmitir coragem, infundir ânimo, reaquecer esperanças e despertar a fé! Ah! A fé no nosso futuro!
A certeza de que estamos destinados a uma nobre missão no concerto dos povos, mas que a nossa vacilação, a nossa incúria podem retardar.
Responsabilidade nossa. Tarefa nossa.
Estamos cientes de tudo isto e nos deixamos levar pelo desânimo, este vírus de perigo inimaginável.
O desânimo e seus companheiros, o desalento, a descrença, a incerteza, o pessimismo, andam juntos e contagiam muito sutilmente, enfraquecendo o indivíduo, os grupos, a própria comunidade.
São como cupim a corroer, no silêncio, as estruturas.
Não raras vezes, insuflando por mentes em desalinhos, por inimigos do progresso, por agentes do caos, esse vírus se expande e se alastra, por contágio, derrotando o ser humano antes da luta.
                 Diante desse quadro de forças negativas tornam-se muito difíceis quaisquer reações. Portanto, cabe aos Espíritas o dever de lutar pela transformação deste estado geral.
Que cada centro, cada grupo, cada reunião promovam nossa campanha.
Que haja uma renovação dessa psicosfera sombria e que as pessoas realmente sofredoras e abatidas pelas provações, encontrem em nossas casas um clima de paz, de otimismo e de esperança!
Que vocês levem nossa palavra forte a toda parte. Aqueles que possam fazê-los, transmitam-na através dos meios de comunicação.
Precisamos contagiar o nosso Movimento com estas forças positivas, a fim de ajudarmos efetivamente o nosso país a crescer e a caminhar no rumo do progresso.
São essas forças que impelem o indivíduo ao trabalho, a acreditar
em si mesmo, no seu próprio valor e capacidade. São essas forças
que o levam a crer e lutar por um futuro melhor.
Meus irmãos, o mundo não é uma nau à matroca[1]. Nós sabemos que ''Jesus esta no leme'' e que não iremos soçobrar.
Basta de dúvidas e incertezas que somente retardam o avanço e prejudicam o trabalho. Sejamos solidários, sim, com a dor de nosso próximo.
Façamos por eles o que estiver ao nosso alcance. Temos o dever indeclinável de fazê-lo, sobretudo transmitir o esclarecimento que a Doutrina Espírita proporciona. Mas também, que a solidariedade exista em nossas fileiras, para que prossigamos no trabalho abençoado, unidos e confiantes na preparação do futuro de paz por todos almejados.
E não esqueçamos de que, se o Brasil ''é o coração do mundo'', somente será a ''pátria do Evangelho'' se este Evangelho estiver sendo sentido e vivido por cada um de nós''...
Eurípedes Barsanulfo
Mensagem recebida no Centro Espírita ''Jesus no Lar'' Médium - Suely Caldas Schubert... 27.maio.2012

[1]  À deriva, sem rumo (embarcação) 

terça-feira, 17 de abril de 2012

Aborto de Anencéfalos


MENSAGEM SOBRE O ABORTO DE ANENCÉFALOS
Joanna de Ângelis
Nada no Universo ocorre como fenômeno caótico, resultado de alguma desordem que nele predomine. O que parece casual, destrutivo, é sempre efeito de uma programação transcendente, que objetiva a ordem, a harmonia.
De igual maneira, nos destinos humanos sempre vige a Lei de Causa e Efeito, como responsável legítima por todas as ocorrências, por mais diversificadas que apresentem-se.
O Espírito progride através das experiências que lhe facultam desenvolver o conhecimento intelectual enquanto lapida as impurezas morais primitivas, transformando-as em emoções relevantes e libertadoras.
Agindo sob o impacto das tendências que nele jazem, fruto que são de vivências anteriores, elabora, inconscientemente, o programa a que se deve submeter na sucessão do tempo futuro.
Harmonia emocional, equilíbrio mental, saúde orgânica ou o seu inverso, em forma de transtornos de vária denominação, fazem-se ocorrência natural dessa elaborada e transata[1] proposta evolutiva.
Todos experimentam, inevitavelmente, as consequências dos seus pensamentos, que são responsáveis pelas suas manifestações verbais e realizações exteriores.
Sentindo, intimamente, a presença de Deus, a convivência social e as imposições educacionais, criam condicionamentos que, infelizmente, em incontáveis indivíduos dão lugar às dúvidas atrozes em torno da sua origem espiritual, da sua imortalidade.
Mesmo quando se vincula a alguma doutrina religiosa, com as exceções compreensíveis, o comportamento moral permanece materialista, utilitarista, atado às paixões defluentes[2] do egotismo[3].
Não fosse assim, e decerto, muitos benefícios adviriam da convicção espiritual, que sempre define as condutas saudáveis, por constituírem motivos de elevação, defluentes do dever e da razão.
Na falta desse equilíbrio, adota-se atitude de rebeldia, quando não se encontra satisfeito com a sucessão dos acontecimentos tidos como frustrantes, perturbadores, infelizes...
Desequipado de conteúdos superiores que proporcionam a autoconfiança, o otimismo, a esperança, essa revolta, estimulada pelo primarismo que ainda jaz no ser, trabalhando em favor do egoísmo, sempre transfere a responsabilidade dos sofrimentos, dos insucessos momentâneos aos outros, às circunstâncias ditas aziagas, que consideram injustas e, dominados pelo desespero fogem através de mecanismos derrotistas e infelizes que mais o degrada, entre os quais o nefando suicídio.
Na imensa gama de instrumentos utilizados para o autocídio, o que é praticado por armas de fogo ou mediante quedas espetaculares de edifícios, de abismos, desarticula o cérebro físico e praticamente o aniquila...
Não ficariam aí, porém, os danos perpetrados, alcançando os delicados tecidos do corpo perispiritual, que se encarregará de compor os futuros aparelhos materiais para o prosseguimento da jornada de evolução.
É inevitável o renascimento daquele que assim buscou a extinção da vida, portando degenerescências físicas e mentais, particularmente a anencefalia.
Muitos desses assim considerados, no entanto, não são totalmente destituídos do órgão cerebral.
Há, desse modo, anencéfalos e anencéfalos.
Expressivo número de anencéfalos preserva o cérebro primitivo ou reptiliano, o diencéfalo e as raízes do núcleo neural que se vincula ao sistema nervoso central…
Necessitam viver no corpo, mesmo que a fatalidade da morte após o renascimento, reconduza-os ao mundo espiritual.
Interromper-lhes o desenvolvimento no útero materno é crime hediondo em relação à vida. Têm vida sim, embora em padrões diferentes dos considerados normais pelo conhecimento genético atual...
Não se tratam de coisas conduzidas interiormente pela mulher, mas de filhos, que não puderam concluir a formação orgânica total, pois que são resultado da concepção, da união do espermatozoide com o óvulo. Faltou na gestante o ácido fólico, que se tornou responsável pela ocorrência terrível.
Sucede, porém, que a genitora igualmente não é vítima de injustiça divina ou da espúria Lei do Acaso, pois que foi corresponsável pelo suicídio daquele Espírito que agora a busca para juntos conseguirem o inadiável processo de reparação do crime, de recuperação da paz e do equilíbrio antes destruído.
Quando as legislações desvairam e descriminam o aborto do anencéfalo, facilitando a sua aplicação, a sociedade caminha, a passos largos, para a legitimação de todas as formas cruéis de abortamento.
...E quando a humanidade mata o feto, prepara-se para outros hediondos crimes que a cultura, a ética e a civilização já deveriam haver eliminado no vasto processo de crescimento intelecto-moral.
Todos os recentes governos ditatoriais e arbitrários iniciaram as suas dominações extravagantes e terríveis, tornando o aborto legal e culminando, na sucessão do tempo, com os campos de extermínio de vidas sob o açodar dos mórbidos preconceitos de raça, de etnia, de religião, de política, de sociedade...
A morbidez atinge, desse modo, o clímax, quando a vida é desvalorizada e o ser humano torna-se descartável.
As loucuras eugênicas[4], em busca de seres humanos perfeitos, respondem por crueldades inimagináveis, desde as crianças que eram assassinadas quando nasciam com qualquer tipo de imperfeição, não servindo para as guerras, na cultura espartana, como as que ainda são atiradas aos rios, por portarem deficiências, para morrer por afogamento, em algumas tribos primitivas.
Qual, porém, a diferença entre a atitude da civilização grega e o primarismo selvagem desses clãs e a moderna conduta em relação ao anencéfalo?
O processo de evolução, no entanto, é inevitável, e os criminosos legais de hoje, recomeçarão, no futuro, em novas experiências reencarnacionistas, sofrendo a frieza do comportamento, aprendendo através do sofrimento a respeitar a vida…
Compadece-te e ama o filhinho que se encontra no teu ventre, suplicando-te sem palavras a oportunidade de redimir-se.
Considera que se ele houvesse nascido bem formado e normal, apresentando depois algum problema de idiotia, de hebefrenia[5], de degenerescência, perdendo as funções intelectivas, motoras ou de outra natureza, como acontece amiúde, se também o matarias?
Se exercitares o aborto do anencéfalo hoje, amanhã pedirás também a eliminação legal do filhinho limitado, poupando-te o sofrimento como se alega no caso da anencefalia.
Aprende a viver dignamente agora, para que o teu seja um amanhã de bênçãos e de felicidade.
                     
Joanna de Ângelis

 (Página psicografada pelo médium Divaldo Pereira Franco, na reunião mediúnica da noite de 11 de abril de 2012, quando o Supremo Tribunal de Justiça, estudava a questão do aborto do anencéfalo, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia.)



[1] Anterior ao atual (ano transato); ANTECEDENTE; PASSADO..
[2] Que se origina, deduz: seu pensamento é defluente do que observa.
[3]  Excesso de apreço, de amor por si mesmo; EGOLATRIA; EGOMANIA.
[4]   Diz-se de indivíduo apto a produzir prole forte e saudável.

[5]  Conjunto de perturbações intelectuais que aparecem por vezes na puberdade; demência precoce.