quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

O fim que eu quero

15/02/2008
Estou repetindo este texto já publicado na data acima, em outra mídia, pela oportunidade e atualidade do tema. Apesar de sua roupagem aparentemente política, seu conteúdo cabe em qualquer avaliação, em qualquer situação e em qualquer setor da atividade humana
Arquimedes Estrázulas Pires

Estive lendo uma entrevista concedida pelo eminente psiquiatra Dr. Roberto Shinyashiki [foto], à Revista Isto É, à qual foi dado o título de “heróis de verdade”.
Meu tema de hoje está inspirado em uma pergunta e em uma resposta da referida entrevista:

“ISTOÉ - Temos um modelo de gestão que premia pessoas mal preparadas?”
Shinyashiki -- Ele cria pessoas arrogantes, que não têm a humildade de se preparar, que não têm capacidade de ler um livro até o fim e não se preocupam com o conhecimento.
Muitas equipes precisam de motivação, mas o maior problema no Brasil é competência. Cuidado com os burros motivados! Há muita gente motivada fazendo besteira. Não adianta você assumir uma função para a qual não está preparado. Fui cirurgião e me orgulho de nunca um paciente ter morrido na minha mão. Mas tenho a humildade de reconhecer que isso nunca aconteceu graças a meus chefes, que foram sábios em não me dar um caso para o qual eu não estava preparado. Hoje, o garoto sai da faculdade achando que sabe fazer uma neurocirurgia. O Brasil se tornou incompetente e não acordou para isso”.

Vale notar a grandeza d’alma desse homem que, mesmo sendo o único responsável por seus acertos, atribui isso aos chefes que “não lhe deram nenhum caso para o qual não estava preparado.”

Pessoas assim valem mais do que pesam!

Mas também vale a pena prestar atenção quando ele diz que “O Brasil se tornou incompetente e não acordou para isso.”

Costumo sentir um arrepio na espinha, sempre que vejo um despreparado galgando posições para as quais não tem aptidões; o resultado disso será, inevitavelmente, mais besteira!

Principalmente quando essas posições estão catalogadas no chamado Poder Público, porque é exatamente a partir daí que as besteiras ardem mais no lombo e na vida do povo.

Pessoas despreparadas passam toda uma existência, quando têm oportunidade pra tanto, imaginando-se acima do bem e do mal; pobres seres!

Ao acumularem verdadeiras fortunas nascidas – não raro! - do ilícito, da insensatez e do poder comprado, nem sequer buscam saber o que farão com tudo isso à chegada do embarque para outros planos!

O próprio Dr. Shinyashiki diz haver atendido algumas dezenas de doentes terminais que, na hora da morte, lhe puxavam pelo jaleco pedindo: “Doutor: não me deixe morrer”!
Tarde demais!

A fortuna acumulada, a celebridade, a truculência do poder ilegítimo, o ganho fácil, as gordas contas bancárias, os conchavos, a arrogância, a prepotência, o orgulho pessoal e a ardilosa capacidade de alguém levar vantagens até quando sorri, nessa hora já não têm mais nenhum significado e nenhuma importância!

Está tudo acabado; do outro lado será uma outra história!

Não é que Deus seja um cara cruel e vingativo, capaz de punir quem quer que seja; não!
A consciência pune mais do que muitos imaginam e as energias que geramos, vida afora, nos levará a lugares exatamente iguais ao resultado dos nossos feitos por aqui; não há como escapar de nada disso!

“Há o tempo de plantar e há o tempo de colher”, dizem as mesmas Escrituras onde está registrado que “a cada um será dado conforme as suas obras”.

Aristóteles, lá nos primórdios da história já dizia que “somos aquilo que exercitamos todos os dias”; em assim sendo, como é que alguém pode se imaginar grande, quando fez de sua vida um culto permanente à pequenez?

Por oportuno, cito aqui o velho Chico Xavier: ¨Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, qualquer um pode começar agora e fazer um novo fim.¨

Considerando que o futuro pode ser de apenas mais alguns segundos, praza aos céus inda nos seja possível produzir um fim mais digno e mais próximo daquilo que a Fonte espera de cada um de nós!
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terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Você pode; você dá conta!


03.01.11

Arquimedes Estrázulas Pires

Há momentos em que as forças parecem desaparecer, o sentimento esfria, a fé se esvai, a coragem empalidece e a vontade, esboroada, junta os próprios farelos e respira ofegante, como se quisesse deixar de existir. É quando mais precisamos de Deus em nossas vidas!
E o mais impressionante é que muitos de nós só lembra d'Ele, Pai e Criador de Todos os Mundos, nessas horas de angústia extrema! Nada de glorificar o Criador quando a hora é de festa, saúde, alegria, curtição e liberdade total; pra quê, dizem?!
Justamente nessas horas é que devemos nos lançar em preces de gratidão porque a vida transcorre livre e elevar cânticos em louvor a Quem devemos tudo e nada Cobra, nada Reivindica e nada Exige. O livre-arbítrio é o indicador que deveria estar sempre ligado pra nos lembrar de tais obrigações. Quem agradece quando nada lhe falta é sempre amparado quando lhe falta tudo.
Tantas maneiras de agradecer a Deus por tantas bênçãos e, não obstante a pluralidade de escolhas, ainda há quem não adote nenhuma. A caridade, o amor ao próximo, a oração pelo enfermo ou recluso, a alegria no trato com quem nos cerca, a paciência, a resignação, o sorriso sincero, a palavra macia, o abraço de ternura, a palavra que consola, o perdão, o arrependimento... Tantas maneiras!
Deus não tem preferência por nenhuma delas e nem espera agradecimentos, pois quem dá de coração aberto não espera retorno ou retribuição. Mas é justo receber e não devolver, quando nada, um gesto de gratidão e reconhecimento? É justo enxergar só os tombos, os tropeços, os percalços, as “desgraças”, os “defeitos”, os reveses e tudo o mais nessa linha, quando na verdade estamos mergulhados – mesmo os que se vêem mais infelizes! - em um oceano de bênçãos, lições e oportunidades de aprender e obter ensinamentos?
Na ingratidão não há Luz, na indiferença não há amor, no azedume não há caridade, na desesperança não há fé e na reclamação costumeira não há Deus. Deus está onde há sentimento nobre, determinação, caridade, gratidão, esperança e fé; é no conjunto de tudo isso que O encontramos.
Quem apenas reclama, acaba triste, a tristeza leva à depressão, a depressão atrai a doença física, que propicia os males do espírito, que produzem energias opacas, cinzentas, pesadas, densas, pegajosas e... difíceis de suportar. Quem só vê o lado feio das coisas e aplica em seus dias apenas o que contradiz as Leis de Deus, candidata-se a ocupar lugares à esquerda do Cristo e compara-se ao joio. Logo virá o dia em que este será – obrigatoriamente – separado das boas sementes.
Ainda há tempo para esvaziar as velhas gavetas e os socavões da memória e jogar fora o que estiver mofado, o que não serve mais, que judia, escraviza, sufoca, entristece, deprime, degenera e destrói. Não importa o quanto veja-se atolado no descaminho, no vício, no sofrimento, na dor, na infelicidade, ainda há tempo pra reformar a alma, escancarar as janelas do espírito e permitir que a Luz de Deus invada o vazio - limpo do inservível - e aí se Instale produzindo amor e fazendo de você um novo ser.
Quem agradece na adversidade, glorifica na dor, sorri ante os obstáculos, empenha-se e supera-se, produz Luz; produz Vida! Deus está sempre de mãos estendidas aos que O buscam na alegria e agradecem na dor. Nenhuma lição fácil ensina tanto quanto uma experiência difícil, bem sucedida. E não há sucesso onde não há empenho, determinação, vontade e perseverança.
Se você plantou, é evidente que a qualquer tempo estará colhendo! E quem colhe precisa carregar o produto das suas decisões e do seu livre-arbítrio até poder depositá-lo onde já não pese mais em suas costas. Mas Deus, O Senhor da Justiça e da Vida, jamais colocará em teus ombros, carga maior do que a tua capacidade de suportar.
O bom aluno esforça-se, enfrenta problemas e os resolve, enfrenta situações e as supera. Quando sai da escola sabe muito mais do que se imaginaria capaz; é o que acontece na vida, quando nos decidimos pelo esforço e nos dedicamos às boas conquistas e à superação. Há um velho ditado que diz: “A vida é uma escola que não tem férias.” Aprendemos todos os dias, 365 dias por ano e 24 horas por dia. Aplique-se, portanto, e aproveite o tempo... para aprender; quanto mais difíceis as lições, maior será tua sabedoria, ao final!
Dizia Aristóteles, na velha Grécia, que “eu sou aquilo que pratico todos os dias”. Em verdade, se pratico o bem, todos os dias, acabo por tornar-me uma pessoa do bem; mas o contrário também é verdade!
Persevere no bem, abra o coração e a alma, deixe Deus ocupar o melhor lugar em teu “eu” e esteja certo de que o teu amanhã será de Paz e de Luz!
Você pode; você dá conta!