Depressão

Depressão
(Parte 2)

20.05.2011
Arquimedes Estrázulas Pires

O “ame ao teu próximo como a ti mesmo e a Deus sobre todas as coisas” quer significar que quando respeitamos e tratamos com cordialidade, presteza, gentilezas e boas maneiras ao nosso próximo, ao mesmo tempo em que plantamos uma boa semente, porque irradiamos energias puras, positivas e sãs, colhemos dela os melhores frutos, no tempo em que deles mais estivermos necessitados; ainda que tudo isso se passe ao largo da nossa consciência.
E também quer significar que quem leva a vida sem sintonia com Deus, A Força que move o Universo, A Fonte da vida, A Inteligência Cósmica ou que nome tenha para cada um de nós Aquele a quem Jesus Cristo chama de Pai, por demonstrar um profundo desprezo pela Criação e por renegar à própria condição de “Filho de Deus”, é natural que viva, não como um ser humano, mas como um toco: sem vida, sem sentimentos, sem vontades, sem desejos, sem alegria, sem saúde, sem amigos e até mesmo sem... instintos, que é a força motriz dos nossos irmãos animais tidos como “não” racionais; a força que os mantém vivos.
E alguém mais incrédulo pode perguntar: “Ah! Mas então é impossível viver sem uma religião, sem a Espiritualidade e sem Deus?”
A resposta mais imediata pode ser esta: É perfeitamente possível viver sem uma religião; desaconselhável, contudo, viver sem sintonia com Deus e a Alta Hierarquia Espiritual, onde está Jesus Cristo, o Governador Espiritual do Planeta Terra e toda uma plêiade de Anjos e Espíritos Nobres, Bons e Puros, que o auxiliam; são eles que nos orientam, como orientam todas as transformações por que passa o Planeta em sua viagem milênios afora.
Sem o sentimento de Espiritualidade, que é muitas vezes mais importante e necessário do que uma religião - porque trabalha as essências e não as aparências - o ser humano se parece com seres irracionais. O que não é bom, porque sendo espírito, não há como renegar suas origens.
E viver sem Deus... é claro que é possível! Mas, quem optar por viver assim precisa ter consciência, em todos os sentidos, de que sem Deus as coisas são muito mais difíceis. Sendo Ele o Criador de Tudo, é evidente que é Ele quem sabe das coisas e das manhas que levam à felicidade, à alegria e à Luz.
Quem vive sem Deus no coração corre o risco de transgredir, desastrosamente, Suas Leis - imutáveis e infalíveis – e de ter que arcar com todas as consequências dessa opção.
Viver sem Deus é mais ou menos como fazer uma viagem, com amigos, familiares, conhecidos, ídolos, líderes, parentes e até seguidores e, lá por certa altura da viagem resolve passar por dentro de um labirinto à beira da estrada, sem saber como é e o que há lá dentro. A turma segue e ele entra. De tanto errar o caminho, de tanto se perder na direção, de tanto tentar acertar e não ter ninguém que o oriente e porque desconhece o caminho, quando chegar do lado de fora depois de toda a epopeia vivenciada aí dentro, os companheiros já estarão tão longe que talvez não haja mais tempo de retomar a marcha com a mesma alegria, o mesmo entusiasmo, a mesma certeza e a mesma segurança de então. Talvez nem haja tempo e a viagem tenha que ser reprogramada pra outro dia, outro tempo, outras circunstâncias.
É o porque das reencarnações sucessivas; cada viagem perdida terá que ser reprogramada e feita, porque a experiência a ser obtida através dela, somente através dela será obtida.
O objetivo de todos é a perfeição e é pra lá que estamos indo. O tempo da viagem depende dos caminhos escolhidos e das opões de cada um. Em síntese, o tempo da viagem depende de como estamos utilizando o nosso Livre-arbítrio.
E não é só. Cada um doa daquilo que o coração está cheio e recebe da vida exatamente disso; só que, multiplicado pela intensidade do sentimento que vibra quando de tudo distribui um pouco aos que convivem ou caminham com ele pela vida.
O artigo da jornalista Ana Paula de Araújo faz referência ao “Isolamento social, como sendo um dos principais comportamentos nocivos e pode variar de acordo com o nível da depressão”.
Em verdade, quanto mais a pessoa vê em si mesma “o nada”, mais nula se sente em relação ao mundo que a cerca. A cada dia estará mais desmotivada e menos confiante em si mesma, vê sua baixa-estima aumentar, assustadoramente, o desânimo se estabelece, aquele característico sentimento de impotência emocional e de incompetência social se instala e, a partir desse ponto, a tendência é a queda vertiginosa em direção ao fundo do poço; mais uma comprovação da máxima de Aristóteles, de que ”somos aquilo que praticamos todos os dias”.
É impossível permanecer alegre em ambiente de tristeza e manifestação de sofrimento, da mesma forma como é impossível que alguém continue carrancudo, enfezado, desmotivado e azedo onde há alegria, otimismo, esperança, oportunidades de Luz, demonstrações de fé e a presença de Deus.
Famílias onde as pessoas vivem como árvores mortas, fincadas sobre as próprias raízes e fechadas sobre o nada que lhes resta, imóveis e alheias ao que se passa à sua volta, sem dar ou receber um mínimo de carinho, solidariedade ou amor, produzem seres humanos afeitos aos desvios comportamentais, aos descaminhos sociais, à animalidade, ao vício, às enfermidades degenerativas e à depressão, essa fuga inconsciente que atinge as pessoas divorciadas de qualquer sentimento de amor a Deus e ao próximo, sem objetivos que as tornem dignas de admiração, que não demonstram vontade de se fazerem grandes pelos próprios méritos e que, ao não receberem nada disso sem o necessário esforço, sentem-se impotentes, incompetentes, incapazes, infelizes e nulas. Simplesmente, não dá pra viver assim!
Mas e as crianças castigadas pela depressão?
A resposta que a Espiritualidade Maior dá é que “são crianças de famílias que as superprotegem imaginando que ao lhes prometer o céu estarão livrando-as do inferno.
Isso quer dizer que para uma criança que recebe superproteção e excesso de “garantias” e promessas, qualquer item não atendido, dessa lista, pode arrastá-la à decepção, à desesperança, à desilusão, ao esgotamento emocional, ao stress e à descrença - nos pais e na vida. E, não recebendo o “céu” prometido acabam caindo no “inferno” da desesperança e, daí à depressão, é uma questão de ocasião e tempo.
É por isso que o Evangelho do Cristo nos diz que a “porta estreita” é a porta do céu, e a “porta larga” dá acesso ao inferno. Meu avô dizia que “o uso do cachimbo deixa a boca torta”. As benesses exageradas, sem critérios e sem uma boa razão de ser, quando interrompidas geram insatisfações, claro.
E quando você “rala” pra conseguir alguma coisa importante pra tua vida, ao consegui-la consegue também a alegria e a satisfação; é a porta estreita te levando, ainda que por um limitado tempo, ao “céu”.
Perceba que nas famílias pobres e naquelas que vivem com certa limitação e muita dificuldade, os sonhos e as promessas estão sempre ao alcance da mão, ou seja, todos sabem que não é fácil conseguir todas as coisas que se quer, quando se quer. As crianças dessas famílias geralmente são mais felizes, porque quase nunca sonham sonhos impossíveis e, por conseguinte, estando sempre com os pés no chão, não correm riscos de subir nas asas da amargura que nasce da desilusão. Famílias abastadas deveriam fazer a mesma coisa em relação às orientações para a vida e à construção emocional que por missão devem dar aos filhos. Afinal de contas, quem poderá assegurar que o amanhã será exatamente igual o seu hoje?!
Toda criança, independentemente de religião, condição social, nacionalidade ou etnia, precisa ser educada adequadamente pela família e “preparada” para a vida que um dia terá que viver por seus próprios meios, sob suas próprias decisões, sob seu gerenciamento e sob sua responsabilidade.
Portanto, a antiga e exclusivista filosofia do “eu sou eu e o resto que se lasque”, como se “eu” fosse o único sobre a terra, precisa ser abandonada, definitivamente, em benefício da saúde mental e física, da alegria, do entusiasmo, da determinação, da boa-vontade, da fé e da vida. Não somos mais movidos simplesmente pelo instinto; somos seres com sentimentos e dotados de livre-arbítrio!
Quem, melhor do que eu, poderá sentir o que me faz bem, ou o que me incomoda e desanima? Quem, melhor do que eu poderá saber e sentir as coisas que me estimulam, me empurram pra diante e me jogam pra cima? Quem, melhor do que eu, poderá conhecer das minhas relações com a felicidade?
É nesse ponto fundamental que a Inspiração de Deus precisa acontecer na vida de cada um. Por decisão pessoal, determinação íntima e atitude necessária; ninguém pode viver como bicho!
Ou a pessoa se assume como parte da Obra de Deus, convence-se de que está em jornada evolutiva pelas estradas do Universo e sente-se feliz com esse fato, ou desacredita de tudo, senta-se à beira da estrada e deixa que o tempo passe, indefinidamente, enquanto não vai a lugar algum.
Continua...

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