A quem reclamar?

19.04.2011
Arquimedes Estrázulas Pires

          Andei lendo por aí, em algum folhetim ou outra mídia qualquer, uma frase que me alertou para uma das grandes realidades pouco observadas na existência humana; estava escrito assim, na frase que li:

“Quando tudo parece estar vindo na tua direção, provavelmente você está no lado errado da estrada”.

          A correria do dia-a-dia e a procura incessante por alguma coisa cuja identidade ainda não se aprendeu identificar com precisão têm levado boa parte dos seres humanos a sentirem-se mais vítimas do que autores de seu próprio destino. A verdade, no entanto, é que caminhamos – sempre! - na velocidade e nas condições que a estrada permite. O importante aqui é não esquecermos que somos os projetistas e os construtores dessa estrada por onde viajamos. Portanto, se houver reclamações, que sejam dirigidas a nós mesmos.

          Esquecidos disso é que, sempre que alguma coisa não sai exatamente como queremos, imaginamos que tudo está vindo em nossa direção ou caindo sobre as nossas cabeças. É quando precisamos parar, serenos e tranquilos, para a grande e indispensável constatação da maior de todas as verdades nesse particular: se tudo parece estar em rota de colisão contra nós e nossas vontades; se tudo parece na iminência de despencar em nossas cabeças ou se o mundo parece conspirar contra todos os nossos planos e sonhos, de duas uma: ou isso está realmente acontecendo e nesse caso é urgente pedir socorro ou, o que é muito mais provável, quem está na pista errada, no lugar errado ou pensando equivocadamente em relação às próprias ambições... somos nós e não o mundo.

          O egoísmo normalmente faz a pessoa desavisada imaginar-se perseguida, rejeitada, tolhida, boicotada, pé-frio... Mas quando detém a marcha, pensa e pondera, vê que tudo pode entrar em equilíbrio se, assim que percebe o sentido em que caminha pela vida, muda de direção, de jeito e atitudes, assume – humilde e sinceramente – o erro e, de mãos estendidas faz as pazes com o universo. Ficará surpreso ao ver-se – de repente - vivendo “a vida que pediu a Deus”.

          O espírito humano colhe o que planta e é muito pouco provável que todos errem enquanto apenas eu, minúscula partícula na multidão, seja modelo e exemplo eterno de retidão, acerto e certeza. Ter consciência disso é permitir que a humildade - essa virtude tão necessária – acione o interruptor que ascende a luz do caminho, permitindo que a marcha possa ser desenvolvida sem tantos enganos.

          Afinal de contas, que puritanismo inútil é esse que me enche de falsos pudores enquanto me relaciono com meus semelhantes, se agora mesmo já não sou mais quem fui até há pouco? Faço parte de um universo em permanente transformação e, como ele, também me transformo constantemente. Minha pele já não é mais a mesma de há algumas horas, os conhecimentos que adquiri nos últimos minutos fazem de mim um ser ligeiramente mais sábio, minha idade se modificou, porque o tempo não para, alguma dificuldade por que passei alterou minha fé e até penso que está mais determinada, mais consciente e mais firme. As nuvens que enfeitavam o céu e formavam figuras incríveis - sobre mim e tudo o que me cerca - já mudaram de lugar e têm um novo aspecto, o ar cheira diferente, o vento tem um som particular que eu ainda não havia percebido e, por mais incrível que possa parecer e mesmo que eu não creia, Deus ocupa todos os lugares.

          E, se tudo muda e se transforma, que pretensão é essa que me faz pensar ser capaz de viajar na contramão da natureza e ainda assim não perder o rumo? A alquimia da existência faz de mim um novo ser a cada minuto em que existo; não há nenhuma razão pra pensar que comigo tudo seja diferente!

          Quando presenteio com um sorriso sincero a alguém que não conheço e não me acanho em ser prestativo a quem precise de algum tipo de auxílio, quando deixo que o coração mostre a direção e sinto prazer em compartilhar o que sei, quando reparto o que de melhor tenho em mim e sinto alegria em fazê-lo, estou dizendo á vida que gosto muito dela e agradecendo a Deus pelas bênçãos que recebo e que são sem fim.

          O mais importante em toda essa gama de sentimentos, comportamentos e atos é que ao praticá-los estou fazendo uma transmutação em mim mesmo; estou me modificando, de um ser ainda medianamente animalizado, em um ser levemente mais voltado à angelitude. E isso é muito bom, porque é ela, a angelitude, o objetivo final de todos nós.

          Ramatís nos fala da força e da energia que emitimos ao pensar e sentir:

          ”O espírito do homem aciona, pelo pensamento, a energia sutilíssima da mente e atua, de imediato, através do duplo etérico, no corpo físico, onde cessa o impulso gerado no mundo oculto. Sob o processo mental, produzem-se modificações incessantes nas relações do indivíduo com o ambiente e as pessoas. Em consequência, o homem é o resultado exato do seu pensamento, porque a mente é o seu guia, em qualquer plano da vida. A mente, enfim, é a usina da inteligência, do progresso moral, físico, científico, artístico ou espiritual. É a base da felicidade ou da desventura, da saúde ou da doença, do sucesso ou da fracasso.

          A atitude mental pessimista, do ser, estigmatiza-lhe, nas faces, o temor, o desânimo ou a velhice prematura, enquanto os pensamentos otimistas dão juventude ao rosto velho, coragem ao fraco e desanuviam os aspectos desagradáveis. Através das diversas vidas físicas, o espírito se educa e aprende a governar suas forças mentais, até plasmar sua forma angélica e usufruir a Ventura Eterna.

          O homem pensa pela mente, sente pelo astral e age pelo físico. Sofre, por conseguinte, o bem ou mal que pensar, pois, há pensamentos destruidores e há pensamentos construtivos. O pensamento, sendo imaterial, possui um poder maior do que as realidades físicas.

          O Ser Humano deve conhecer, tanto quanto possível, a ação e o mecanismo da mente, a fim de governá-la como senhor, e não submeter-se a ela como seu escravo”.

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