terça-feira, 6 de março de 2012

O meu Deus é Deus; e o teu?


04.03.2012
Arquimedes Estrázulas Pires

            Por uma decorrência cósmica mais uma vez estamos no átrio de um novo tempo. O ano calendário 2012 já vai alto, carregando a expectativa com que as profecias têm bordado o ideário místico da humanidade desde os primórdios. Com especial atenção para o Livro do Apocalipse e o Calendário Maia, que determinam este como sendo um tempo de transição entre o velho que se deteriora carecendo recomposição e reparos na esteira que estendeu no tempo, e o tempo novo, que transformado em sua essência promete renomear a Terra, chamando-a de... Paraíso.
            Mas, há o intercâmbio interplanos, que transmite entre a matéria física e as dimensões elevadas onde mora o Espírito, ensinamentos que esclarecem a complicada narrativa apocalíptica e as quase nada inteligíveis tábuas Maias, acrescentando-lhes conhecimento sempre novo, a cada novo dia, mesmo que sépticos e leigos o vejam com olhos sempre duvidosos e inexpressivos.
            Da mesma forma como o Universo se transforma, perseverante e permanentemente, o Planeta em que vivemos e a Natureza exuberante que contém, também se reformam a cada segundo. Átomos, moléculas, células, partículas, tecidos, órgãos, corpos, etc., independentemente de pertencerem aos reinos mineral, vegetal, animal ou hominal, porque fazem parte desse Todo em vibração constante e em constante liberação de energia vital, também se transformam.
Eternos, porque espíritos imortais e, consequentemente, infinitos como o próprio tempo, ainda que não creiamos é necessário que escancaremos toda a nossa boa vontade e nos liguemos – efetivamente – à Divindade Criadora. Não, logicamente, pela fé negociada com que muitas correntes religiosas acorrentam o incauto, mas pela lucidez que nos faz diferentes de seres animais ou simplesmente animados, cujo motor existencial ainda é o velho impulso do instinto. Precisamos nos posicionar dessa forma pra que nos seja possível usufruir da graça dessa transformação que há de produzir um mundo novo para o convívio de todos nós.
“Prefiro aguardar à porta da Casa do Meu Deus, do que habitar as tendas dos ímpios”, diz o Salmo 84. Ainda que as coisas não aconteçam no tempo da nossa espera e das expectativas que geramos, nada justifica o fato de muitos desistirem da espera pela Providência e atirarem-se, ávidos de prazeres efêmeros e experiências daninhas, nos braços da perdição. Muito embora quase sempre tarde demais, até no samba de Silvio Caldas “o arrependimento quando chega... faz chorar”!
Mas, é de extrema importância que os olhos que veem a vida, não a vejam vesgamente. Ela precisa ser vivida com intensidade, em todos os sentidos, porque o Espírito não pode prescindir das experiências que puder adquirir em sua marcha de evoluir. E, viver a vida com intensidade, significa fazê-lo de tal modo que nada do que se pense, sinta ou faça cause ou possa causar qualquer mal ou constrangimento a quem ou ao o que quer que seja; mesmo que ao próprio vivente.
Não podemos deixar de exercitar o Espírito em ações indispensáveis, como o trabalho, a busca de conhecimento, as práticas do bem, do amor ao próximo e da caridade, o compartilhar de coisas materiais adquiridas ou herdadas e, evidentemente, no necessário exercício das virtudes que nos caracterizam e identificam como seres “criados à imagem e semelhança de Deus”. O único Deus que conheço e que tenho como Criador de tudo o que há.
Tenho visto e ouvido em algumas igrejas – de variadas confissões religiosas – líderes repetindo que “este deus que veneramos é o deus do impossível” ou “vamos orar ao nosso deus”, e coisas assim. Não sei a que deus referem-se em tais e tão inflamadas prédicas, se existimos por conta da vontade do único Deus que persiste depois que a Ele fomos apresentados por Abraão, Akenaton, Moisés e Jesus Cristo; todos os outros, quais bezerros – de ouro ou barro – caíram por terra desde então e já não deveriam ser invocados em cultos de quaisquer espécies. O meu Deus é Deus; e pronto! Não há nenhum outro, mesmo que por recurso de oratória – ou desejos outros - desejem inventá-lo aqui e ali.


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